Mulheres

Confesso um pouco de medo ao escrever sobre este assunto. Não pelo tema em si, mas pela forma como as coisas são radicais a ponto de ser chamado de machista, por mais que eu evite pensar como tal. No entanto, caso saia algo realmente digno de aviso, peço que me digam. Às vezes, a gente faz cagada que já virou reflexo.

Dos presentes que a literatura me deu, tem duas obras que guardo com carinho, cujo conteúdo principal é o universo que é a mulher.

A trilogia Millenium fala sobre uma personagem sensacional. A definição do autor sobre ela é mais ou menos assim: baixinha, musculatura pouco desenvolvida, cheia de tatuagens e piercings. Nos preceitos de uma sociedade conservadora, tudo pra dar errado. Mas aí que tem a genialidade da coisa: tudo que pode ser danoso a ela é compensado pela genialidade da personagem. Ela é intelectualmente brilhante. A capacidade de equilibrar a falta de força com o raciocínio dela é simplesmente única. E é isso que retrata tão bem o mundo hoje em dia: a força física do homem não faz mais tanta diferença assim. Então, se nós, homens, quisermos nos destacar, não vai ser por conseguir abrir vidro de palmito.

Outra saga que eu acredito que fale sobre as mulheres em sua essência é O Tempo e o Vento, do Erico Veríssimo. Essa obra é uma lição de vida necessária pra que, não só os homens, mas as mulheres também percebam algumas verdades. Como a verdade de que elas são pilares que sustentam a humanidade. Se fosse só homem, a gente já teria se matado há tempos. Nessa obra, o Erico usa toda sua maestria e demonstra que, enquanto os homens passavam dando tiros a esmo por alguma razão besta, quem mantinha o mundo no lugar e dava continuidade à ordem eram elas. Trabalhando e esperando. E sendo mais forte do que quem acha que atirar com uma espingarda é ter força.

O meu ponto é que não faz sentido o que nós, homens, fizemos ao seguir com alguns pensamentos como "essa profissão não é pra mulher". Na Medicina, a mulherada nos dá aula de sensibilidade com o ser humano. Não bastasse isso, nos dá aula também no sentido literal. E no sentido de serem melhores estudantes também. Claro que parece preconceito dizer que ser do sexo masculino é ser menos sensível, mas, convenhamos, parece-me que a natureza da mulher é muito mais amor do que guerra. Afinal, quantas guerras poderiam ser evitadas e quantas vidas poderiam ter sido salvas se elas comandassem?

Ainda bem que, com o avanço dos anos, as mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho. E estão conquistando outros espaços também. Como merecedoras que são. É inegável que elas são excelentes concorrentes. E, pra você que ainda tem esse pensamento de que lugar de mulher é na cozinha, uma dica: gasta tua energia para ser uma pessoa melhor. Enquanto tu bobeia, elas pegam as vagas nos concursos, nos empregos, na política e na vida como um todo.

Mulheres, vocês são muito mais do que um 8 de março. Vocês são a esperança de que o mundo seja mais eficiente, mais solidário, mais pacífico e mais humano.

Dominem esse mundão.

Tô na torcida.

Guilherme Ruschel Rosa

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