Como você vai partir para sua próxima jornada?

Que seu subjetivo se realize

Este texto é uma releitura de outro que escrevi no ano passado, nesta mesma época. O efeito deste pensamento eu adianto a você que lê agora: 2015 foi um dos meus melhores anos. Aprendi e me senti realizado como em poucas ocasiões antes.


Seja melhor para 2016

Estamos naquela época do ano em que revemos o que passou e fazemos planos para o que virá. Olhando para trás eu penso nas pessoas que conheci este ano, nas que entraram e saíram da minha vida, naquelas das quais eu escolhi sair.

Nos dias de hoje, 10 entre 10 nobres “especialistas em planejamento e resultados” dirão “estabeleça objetivos para sua vida”.

Aliás, estabelecer objetivos é tão lugar-comum que virou daquelas coisas que não se discute. “É óbvio”. Aliás, você já estabeleceu seus objetivos para 2016?

Alguns destes especialistas, com uma certa inclinação poética (ou apenas preguiça, mesmo, pois aposto que 99% das pessoas que o citam nunca leram Lewis Carroll), interpretam a frase abaixo do Gato de Cheshire na obra Alice no País das Maravilhas sob uma única perspectiva, que não é necessariamente a pretendida pelo autor — creio que já não temos como saber.

Alice e o Gato de Cheshire

Veja bem, no livro ele diz “Se você não sabe para onde quer ir, então não importa o caminho que tome”. A interpretação lugar comum é: você precisa saber para onde quer ir (seus objetivos) ou nenhuma estrada vai ajudá-lo.

Objetivos ou Subjetivo?

Mas, quero fazer um convite para uma interpretação diferente. Que tal focarmos no “a estrada não importa”? Pense assim, quando definimos um destino, normalmente o fazemos com base em uma perspectiva futura daquilo que suspeitamos ser o que queremos. E se mudarmos de ideias, interesses e motivações ao longo do caminho? E se aparecer uma oportunidade ou conhecermos alguém que nos desperte para algo novo?

Por outro lado, quando não definimos um destino, podemos tomar QUALQUER caminho, e cada qual será útil à sua maneira. Desta forma, podemos nos concentrar em QUEM vai percorrer o caminho, e COMO.

Vê a diferença? Na segunda opção, colocamos nossa consciência em primeiro lugar, focamos em nossas experiências e aprendizados no presente. Na primeira opção, mantemos o olhar em uma hipótese e evidências externas de nossa caminhada, e tudo o que fazemos e aprendemos são como degraus para alcançar esta visão. E se formos pessoas diferentes ao ‘chegar lá’ e o tal destino já não fizer o mesmo sentido?

Ser feliz em um mundo que não posso controlar

Mais uma coisa, quanto do futuro é realmente previsível ou está sob nosso controle à distância de 1 mês, 1 ano ou 10? Quantas coisas inesperadas acontecem em intervalos como estes que alteram nossa visão de mundo e nossa relação com ele?

O futuro é uma consequência de como percorremos nosso caminho. Com o tempo, ganhamos aprendizado e sabedoria, e nossa visão muda, nossos valores mudam. Portanto, escolher COMO vamos percorrer nosso caminho talvez seja mais importante que tentar definir ONDE queremos chegar.

Que tal começar por estabelecer princípios que guiem suas escolhas, que façam aproveitar a viagem e tirar o melhor dos imprevistos? Que tal ter clareza de seus próprios valores, para que suas escolhas sejam reflexo consistente dos seus princípios? Que tal adotar como atitude o desafiar-se constantemente, o ter um saudável descontentamento e uma certa curiosidade? Planejar alguns passos, dentro de um universo possível e estar pronto para se adaptar às respostas do mundo às suas escolhas.

Pode ser, veja bem, que de fato não importe sua escolha de qual estrada percorrer. O plano de nossa consciência não é físico, portanto devemos aceitar que, simultaneamente, muitas estradas podem levar ao mesmo lugar e a mesma estrada pode levar a vários destinos diferentes. Quem sabe até não existam estradas e o seu caminho único se faça ao andar, parafraseando o poeta espanhol Antonio Machado.

Mas, voltemos à Alice. Ela é inúmeras vezes questionada sobre sua identidade e, se observares bem, ela nunca faz, de fato, a escolha de um caminho. Mas, toma todas as decisões com base em seus valores, com base em curiosidade, generosidade e justiça. Há grandes lições por aí, não?

Resultados ou identidade?

Que bom que você leu até aqui e entendeu que não é uma questão de não ter planos ou objetivos quaisquer. A questão é não se identificar com os objetivos como se eles definissem sua identidade e senso de felicidade. Como se a versão hipotética de seu futuro fosse trazer a realização que você não tem hoje.

Acredito que toda transformação positiva ocorre fora de nossa zona de conforto. Portanto, para o próximo ano resolvi mais uma vez não estabelecer objetivos. Fiz uma boa imersão em meus princípios e valores e começo o ano com muito mais clareza sobre QUEM sou e O QUÊ realmente importa para mim. Assim, os planos que faço hoje têm, sim, alguns marcos e objetivos que eu gostaria de alcançar no curto prazo, que somam pontos à minha atual visão de longo prazo. Mas, sobretudo, tenho consciência sobre COMO vou caminhar. E a estrada que se forme sob meus pés da melhor forma possível.

E para todos nós, desejo que não apenas queiramos que 2016 seja bom para nós. Mas, sobretudo, que sejamos bons para 2016!