Não Existe Amor em SP…

{ou em qualquer outro lugar}

Não existe amor em SP Um labirinto místico, Onde os grafites gritam Não dá pra descrever Numa linda frase De um postal tão doce Cuidado com doce São Paulo é um buquê Buquês são flores mortas Num lindo arranjo Arranjo lindo feito pra você
Não existe amor em SP Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita, Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel Aqui ninguém vai pro céu
Não precisa morrer pra ver Deus Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina Me dê um gole de vida Não precisa morrer pra ver Deus

A reflexão de hoje é sobre esta canção do [profeta neotestamentário] Criolo, que através de suas rimas nos confronta com uma verdade inegável: Não Existe Amor em SP.

São Paulo, neste contexto, pode ser substituída por qualquer localidade do Mundo. Afinal, não a Cidade o espaço físico das oportunidades? Não é este o terreno da busca pela felicidade e pela realização pessoal?

A Cidade, o Mundo, as luzes, os carros, os prédios, tudo isso é um buquê. O kosmos é uma emboscada perfeita para enredar homens e mulheres sedentos por alguma coisa [que não sabem o que é] e reduzi-los a seres alienados, que procuram sua satisfação na ilusão da busca incessante pelo desfrute de coisas temporais, sejam elas bens materiais, sentimentos de prazer e alegria ou até mesmo a companhia de outra(s) pessoa(s). Mas o poeta nos mostra que, na verdade, tudo isso são apenas flores mortas. Um buquê pode ter flores realmente lindas, e que de fato irão te agrade por um tempo, mas elas vão durar, no máximo por algumas semanas. [E daí o que fazemos, compramos outro?] Ou seja, não há vida nessa busca. Por mais que se consiga obter aquilo pelo qual tanto se lutou, no final, é impossível não se deparar com morte e com o vazio.

O profeta cita que os bares estão cheios de almas vazias, procurando algo sob as algemas da ganância e da vaidade…. Ah, quem dera as almas vazias frequentarem somente os bares! Pelo contrário, elas estão vagando por aí nos shopping centers, nos escritórios, nos carros importados, nos ônibus, nas igrejas… O bar é somente o ambiente [fantástico] em que essa tristeza [da qual eu também compartilho] é exteriorizada. O bar é uma espécie de terapia de grupo: o lugar onde pessoas com anseios e mazelas parecidas se encontram e compartilham um pouquinho da sua solidão.

A ganância e a vaidade são elementos que têm a mesma raiz: o orgulho. Neste espaço chamado Cidade, nada é bom o suficiente: sempre há para onde crescer, sempre pode-se ganhar — o céu é o limite, não é mesmo!? Não foi este o mesmo pecado de Lúcifer ao querer ser semelhante a Deus? Não foi este o pecado de Adão, querendo ser semelhante a Deus? Não é este o nosso pecado? Sim, é este. Queremos ter, queremos ser, queremos ganhar. A vaidade e a ganância — Que Deus nos perdoe — têm sido por repetidas vezes aquilo o que nos motiva a levantar da cama todos os dias. E em meio a tudo isso, onde será que ficou a nossa vida? Onde [e por qual razão] gastamos nosso tempo, nosso bem mais precioso? Por favor Mundo, devolva minha vida. E pode ficar com o seu mar de fel, não preciso dele.

A verdade é que ninguém precisa morrer pra ver Deus: Não precisamos sofrer até as últimas consequências da nossa soberba para saber o que realmente vale a pena na vida. Não é necessário parar de respirar para encontrar a paz e o descanso.

Vamos pedir para Deus nos dar, diariamente, alguns goles de vida para ajudar na caminhada. Porque não existe amor em SP, como também não existe em Curitiba [e nem em qualquer Cidade do mundo].

Não amem o mundo, nem as coisas que há nele. Se vocês amam o mundo, não amam a Deus, o Pai. Nada que é deste mundo vem do Pai. Os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada os olhos e o orgulho pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas cobiçam; porém aquele que faz a vontade de Deus vive para sempre.
1 João 2:15–17
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.