Restart e o Louvor que Toca o Coração de Deus

Restart? Aquela banda emo-colorida? Peguei pesado?
Antes de julgar leia a letra. Só leia a letra, sério.

Eu quis escrever uma canção
Que pudesse te fazer sentir
Pra mostrar que o meu coração
Ele só bate por ti
Como uma bela melodia pra dizer
O que eu não consigo explicar
Com uma bela melodia pra você ver
O que eu queria te falar
E dizer que é você
Que pode me mudar
Que pode me salvar
E eu vou te esperar aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá
Te levo comigo
E eu vou te esperar aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá
Te levo comigo

Bem, se ao final da leitura você não achou nada demais, permita-me compartilhar algumas percepções que esta música me provoca. É curtinho, eu prometo.

[Além dos erros gramaticais nos versos em que se utiliza o advérbio “Aonde”, ao invés do correto “Onde”] esta canção já nas duas primeiras estrofes traz uma ideia que já foi bastante recorrente para mim enquanto músico e cristão: escrever ou tocar uma canção que pudesse tocar o coração de Deus, que pudesse fazê-lo sentir alguma coisa.
Muitas vezes eu pensei que se cantasse uma canção adequada — a canção que está “nos lábios de Deus” — Ele faria com que os meus ouvintes fossem sensibilizados, com que a esfera ao meu redor mudasse das trevas para a luz, que meu “ministério” fosse edificado. Em outras palavras, acreditava que se minha canção tivesse as palavras e as notas certas, eu poderia tocar o coração de Deus, de modo que ele derramasse uma “unção” especial sobre a minha vida.

E quem não quer agradar a Deus, não é mesmo?

Mas nesta crença eu acabei me esquecendo de um fato bem importante: Deus é Deus. E sendo Deus, ele não precisa do nosso “louvor”[Rá!]. Será que, em alguma manhã mal-humorada de segunda-feira, Deus precise ouvir um melódico “Tu és santo e toda a Terra está cheia da Tua glória” para se sentir mais motivado? Ou então que o meu cantar iria fazê-Lo se lembrar de mim de maneira especial a ponto de me dar as coisas que eu peço? Hm… Certamente não.
Mas, mesmo quando eu erro, Deus ainda é Deus. Ele conhece o nosso coração, sabe do que carecemos e perdoa as besteiras que a gente inventa (sim, ele perdoou inclusive todas as vezes que alguém cantou “Restitui”!). Ele sabe que é só Ele quem pode me mudar, que pode me salvar, e está trabalhando nisso com todo o Seu empenho.

No entanto, o louvor que agrada a Deus não é uma canção bonita, não é uma voz afinada, assim como também não é uma letra recheada de verbos conjugados na 2ª pessoa do singular [Tu és, Tu queres, Tu fazes, etc.]…
O louvor que toca o coração do Pai é mais profundo que isso: não é uma canção, mas é um viver. Nós podemos ver um pouco deste louvor no refrão da música [com uma leve intervenção minha]:

E eu vou te esperar[:] [E] onde quer que eu vá
[E] onde quer que eu vá
Te levo comigo

Ou seja, à medida em que eu espero o meu Senhor, eu O levo por onde quer que eu ande; e mais do que isto, eu o levo também a quem quer que esteja comigo nesta caminhada. O altar em que Deus quer ser adorado não é somente no meu coração, não é no silêncio do meu quarto, muito menos num palco “gospel”. O altar que o Deus Altíssimo, criador dos Céus e da Terra, escolheu para ser adorado fica bem do seu lado: na vida do seu irmão. Semeie seu tempo, sua energia, sua paciência, sua casa, seus bens, sua compreensão, sua fé… Semeie tudo isso na vida das pessoas ao seu redor porque é dessa semeadura que Deus colherá Seus frutos de louvor, de glória e de honra.

Que a nossa vida possa ser uma canção constante que mostre por Quem bate o nosso coração, e que onde quer que estejamos, Ele seja visto.

Amém!

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