A crítica à crítica:

A despreparada recepção a “O Bom Dinossauro” e “Batman VS Superman: a origem da justiça”

Recentemente, dois fenômenos midiáticos foram citados à exaustão: o lançamento dos longas “O Bom Dinossauro” e “Batman VS Superman: a origem da justiça”. Ícones da produção cultural pop, Pixar e DC Comics saciaram a necessidade de boas histórias de mais de uma geração, e pela qualidade dos materiais apresentados ao longo de várias décadas, conseguiram o respeito de um domínio de fãs considerável.

Potencializado pelos diversos canais especializados (ou não) foi possível acompanhar muito dos bastidores, notícias que envolveram elenco, produção, roteiro, estratégias de marketing e, claro, problemas. Logo, ambas as empresas não passaram incólumes pela curiosidade de cinéfilos e “quadrinheiros” que compartilharam à exaustão informações pertinentes aos filmes pela Internet afora.

Pois bem, passado o lançamento e as análises de bilheterias, tanto o filme do dinossauro quanto o dos super-heróis contaram com muitas críticas negativas. O primeiro foi acusado de não ser a produção mais inspirada da vanguardista Pixar, enquanto o segundo sofreu com a comparação com a penca de filmes da concorrente Marvel.

Longe de desconsiderar problemas nos longas — que fique claro, tanto a animação quanto o live action possuem pontos de atenção em relação a algum aspecto do material — é importante frisar que os produtos finais entregues foram de extrema qualidade. Contudo, o que se presenciou recentemente foi a viralização da crítica negativa, homogeneizada por dois tipos de críticos: o espontâneo e o especializado.

Por isso, trata-se de dois segmentos. O fã, que empoderado pelas mídias sociais consegue reverberar sua voz para além do seu círculo habitual e que, dono da memória afetiva incompreende a adaptação intersemiótica necessária e claramente estratégica das duas empresas: o foco prioritário no público infantil, no caso de “O Bom Dinossauro” e a ambientação sombria e de embates não apenas físicos, no caso de “Batman VS Superman”.

Destes pecados também sofrem os críticos especializados, versados em estéticas e vanguardas da história do cinema, que buscam os elementos artísticos em objetos do entretenimento, ignorando a grande questão aqui existente, que é a busca pela quebra de paradigmas de seus respectivos posicionamentos na indústria cinematográfica. Pixar — e sua respectiva “dona”, Disney, de um lado — e DC Comics — ou Warner Bros, do outro — tentaram, cada uma a seu modo, a reinvenção de si mesmas, e por isso foram acusadas de não atenderem às expectativas geradas .

Contudo, é necessário lembrar que inovar é uma tarefa árdua em que, por alterar estruturas sedimentadas, geram o incomodo aos envolvidos. Assim, fãs e profissionais não perceberam a aula de narrativa que “O Bom Dinossauro”, em sua linguagem de fácil compreensão para as crianças, oferece ao público — um deleite para compreender facilmente o arquétipo da jornada do herói (presente em tantas narrativas orais, verbovisuais e audiovisuais). Enquanto isso, “Batman VS Superman” ousa por não copiarem a concorrência, indo na contra-mão do confronto descolado de colantes, coisa que apenas “Capitão América: o Soldado Invernal” — da Marvel (e, consequentemente, da Disney), é digno de comparação.

Em suma, a proposta deste texto foi criticar a crítica, que foca suas análises nas fraquezas e que, tem em seus membros, um movimento inconsciente de manada que leva a monótonas e clonadas análises. Logo, que fique claro que todo e qualquer produto sempre é passível de melhoria — infinitamente — e os longas aqui citados não escapam disso, tal qual este texto. Entretanto, um novo olhar é necessário, que foque nas potencialidades, talentos e superações de adversidades. Que a crítica, especializada ou não, recorde seu público que, em 2016, houve o lançamento de um longa metragem que escapou do seu cancelamento em 2013, chegando ao mercado e apresentando cenários magníficos e invertendo lógicas de relação entre humano e animal, enquanto o outro mostrou que super-heróis podem ter uma narrativa mais madura, focada nos adultos conhecedores ou não do material original das HQs.

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