Das experiências com “feedbacks”

“Quem aqui acha que receber feedback é ruim?”, perguntou a palestrante. Quase todos os participantes levantaram a mão. Naquele momento, minha cabeça teve um flashback. “Poxa, quantas vezes na vida fomos criticados pela famosa devolutiva, a qual aponta falhas e nunca lembra dos sucessos?”, me questionava.

Pois bem, me lembrei de três. Teve uma vez na empresa em que trabalhava, quando logo após a reunião percebi os supervisores se ajuntando ao coordenador e se mantendo sentados. Olhares, seguidos de um:

“Precisamos falar com você!”.

Normalmente essas frases nunca são boas e podem ou não estarem acompanhadas de “vamos tomar um cafezinho?” ou “vem aqui na minha sala” (esta última podendo ser interrogativa ou imperativa). Não foi o caso daquele dia, pois já estávamos na sala e lá já tinha café.

Daí que se tem uma coisa que os tempos de escola me ensinaram foi que coisas injustas acontecem quando se juntam quatro pessoas para dar feedback a uma. E foi ali que ouvi verdades com muito desamor, e bem acuado.

Em outra ocasião, acabei pegando carona com o chefe. Íamos palestrar e combinando os detalhes ao longo do trajeto, eis que ele me disse:

“Vê se dessa vez não faz tudo errado, tá?”.

Como assim? Àquela altura já me sentia integrado à equipe, oferecendo bons resultados e desenvolvendo meu potencial, conforme a “cartilha” da firma. Tamanha fala sem amor e sem verdade foi uma solapada na minha confiança profissional, à partir daquele momento.

A última história que me lembrei foi, talvez, a primeira sobre o assunto na minha vida. Quando se é criança, normalmente “mentirinhas” amorosas fazem parte do repertório dos adultos para incentivar determinadas ações.

“Nossa, como você desenha bem. Nasceu com o dom!”

Palavras assim fizeram com que eu não buscasse formação para me aprimorar, pois, para que eu buscaria fora, em cursos e exercícios, algo que já tinha naturalmente? Resultado: insatisfeito com meus resultados, desisti das artes ainda na adolescência.

“Mas então, o que esses três casos de “feedbacks” ruins tem em comum?”

Ora, eles não se colocam à disposição do desenvolvimento do indivíduo. Entenda, uma devolutiva verdadeira mas sem empatia, machuca quem a recebe, como foi no primeiro caso. No segundo, quando não estão presentes nem a verdade nem a empatia, abalam a relação e a confiança entre as pessoas envolvidas. Já na última, uma situação em que havia muito amor, mas isenção da verdade, não proporciona crescimento.

E agora, e a boa experiência com o feedback? Até aquele momento da palestra, não me recordava de nenhuma. Uma devolutiva amorosa e verdadeira, que acolhe e expõe a realidade… de fato, nunca tive, e se ocorreu, eu não estava preparado, pois também se é necessária sabedoria para ouvir um feedback.

Ou seja, de que adianta sinceridade com amor, em prol de algo maior, se o receptor do retorno não souber ouvir? Por isso, antes de criticar quaisquer agentes das minhas histórias acima, preciso me perguntar:

“Repliquei sem motivo ou escutei ativamente o que foi dito, mesmo quando não concordava?”

Claro que não me lembro, mas agora sei que um feedback deve ser dito com uma intenção clara, no tempo, no espaço, na atitude e na fala. E o meu julgamento, posso guardar para mim, aproveitando o que me serve e descartando o que não. Está aí uma maneira de nos lembrarmos que somos protagonistas das nossas ações, mesmo quando nos contam dela.

E aí, quem tem um feedback para mim?