na estrada

peguei o carro do meu velho do nada
e fui rodar pra bem longe daquela casa, 
bastante atento às caras de todo mundo
procurando esse ‘algo’ q’eu sinto que quero tanto,
e também de olho prum lugar que seja
ao extremo norte pra ficar na minha velhice
mas q’eu na verdade não quero encontrar nunca
porque daí vou acabar aquietando o facho,
vou me sentir triste, solitário,
e isso eu não quero não.
tô viciado mesmo,
preciso desse tormento,
desse movimento que é a vida.
o cantinho da minha felicidade, da minha alegria,
é mesmo sem rumo e sem endereço.