Retrato de uma íris

Dorme tranquilo, menino.
Ouve a chama crepitar,
ardendo sem se ver.

Por debaixo desta resina,
cristalizado na profundeza da retina,
estão todos os mistérios do mundo,
a inefável beleza dos sentimentos
e uma indomável, irrequieta liberdade.

Por debaixo deste âmbar,
eis estocado o mel mais doce de libar. 
Provando-o, tua alma descansará,
selada de seu eu mais tempestuoso,
embalada por uma quietude incandescente.

Fique em paz, pequenino.
Não precisa despertar.
Manhã, enfim, desistiu de nascer.