Promessa de grego.

Primeiro de tudo, preciso explicar para vocês: esse texto vai ser extremamente sentimental e pessoal. Mas eu prometo que vou chegar a algum lugar.

Foi a partir de algo semelhante à última frase que surgiu minha inspiração para esse texto: uma promessa. No começo do ano, estreitei relações com diversas pessoas de diferentes lugares através da internet e uma delas parecia ser promissora. Até o dia que veio a promessa:

“Eu prometo que não vou te abandonar. Nunquinha. Estarei sempre ao seu lado.”

Foi aí que eu, sempre muito desconfiado da afeição das pessoas por mim e pensador de causas próprias, me perguntei: Por que as pessoas prometem coisas que, claramente, não vão cumprir?

Ao estudar promoção de vendas (eu curso publicidade) nós aprendemos sobre a origem da palavra “efêmero”. Segundo o dicionário:

Efêmero é um termo de origem grega (em que “ephémeros” significa “apenas por um dia”) usado para designar uma situação que dura muito pouco tempo.

Na biologia pode ser aplicado a plantas de curto ciclo de floração, na publicidade pode ser aplicado à promoção de vendas com design de duração restrita para cada campanha. E nas pessoas pode ser aplicado sempre.

Fazendo jus às raízes gregas previamente ditas no título, retornamos para um filósofo em particular: Heráclito. Um dos meus filósofos favoritos (não só pelo caráter melancólico e altivo), Heráclito era conhecido como o filósofo do fogo e nasceu em Éfeso por volta de 540 a.C. Segundo ele, não poderíamos nos banhar duas vezes no mesmo rio. O ser humano, assim como os elementos estão em constante mudança.

Agora que sabemos sobre efemeridade e a teoria de Heráclito, como podemos associar isso às pessoas de hoje em dia?

Nossa geração é extremamente imediatista, o que nos faz ter uma noção alterada de tempo (não irei entrar no mérito da relatividade). Sendo assim, costumamos prometer coisas por pessoas que não existem, por períodos que não são tangíveis a nós mesmos. Não somos os mesmos do começo dessa leitura, e não seremos quando recomendarmos ela a alguém. É importante ressaltar que não temos a obrigação de sermos quem costumávamos ser 5 minutos atrás.

Porém, não devemos também, prometer coisas de grande importância, prazo longo e alto valor afetivo por outras pessoas, pessoas cujo quais sequer existem.

Então, talvez, da próxima vez que formos prometer algo a alguém, devemos pensar também na nossa noção alterada de tempo e como somos expostos a mudanças, muitas vezes drásticas, a todo momento.

Mas o que eu sei? Posso estar aqui reunindo argumentos para justificar o erro de alguém que me prometeu companheirismo e talvez nem vá cumprir. Mas isso é assunto para outra hora, e talvez para um outro eu. E isso não é uma promessa.