Siga sem roteiro!

A gente tá na vida e parece que já recebeu um roteiro. Qual a escola em que nós vamos estudar, qual nossa profissão, qual sonho nós temos para o futuro, qual a meta da nossa vida. Tudo está programado e todos sabem que isso é o melhor e mais seguro a se fazer.
Mas, e se a gente não quiser? Por que não seguir isso parece loucura? Talvez até seja loucura, mas já dizia minha vó, de médico e louco todo mundo tem um pouco.
Minha primeira grande aventura veio logo no ensino médio: fui aprovado em uma faculdade pública bem conceituada, no curso que eu queria (pelo menos eu achava que queria) e tudo estava seguindo o plano. Não o meu plano, o plano geral. Mas não era o que eu amava. Sempre soube que eu amava publicidade, mas sempre fui instruído a cursar uma faculdade pública e de renome. Então veio minha primeira coragem insana: tranquei minha matrícula na faculdade que todos queriam que eu fizesse, que tava escrita no meu roteiro para fazer o que eu realmente queria fazer e o que eu amava.
Sair do meu roteiro parecia insanidade, que o mundo ia desmoronar junto com todos os planos que estavam traçados e pré-construídos pra mim.
Mas o mundo não acabou e assumir a redação do meu próprio roteiro foi algo peculiarmente magnífico. Era como se travas tivessem sido arrancadas de mim, pesos das minhas costas e a visão de um futuro em que eu poderia “cometer loucuras” tivesse sido aberta. O padrão social de vida não me cabia mais, como uma roupa muito pequena para um corpo tão grande.
E isso é tão frequente, todo dia me deparo com pessoas que estão imersas nesse modelo que a vida impõe: Padrão para se vestir, como se comportar, quanto tempo levar para amar alguém, como se amar alguém, o que fazer pelos outros.
Permita-se! Você pode entrar na faculdade depois dos 40, você pode amar alguém mesmo conhecendo a pessoa a menos de um mês, você pode cursar publicidade mesmo tendo feito direito, você pode dedicar seu tempo a algo que ninguém bota fé. Você traça a sua rota! Não existe velho demais, jovem demais, amar demais, longe demais. Só o querer de menos.
Hoje marca exato um ano desde que a minha última coragem insana me invadiu e me levou à capital que eu nunca havia visitado sozinho, em um dia de bate e volta, só pela aventura de conhecer pessoas e passear pela cidade. Há um ano atrás eu tive o melhor vislumbre do que uma vida aparentemente louca pode ser. E ela é libertadora. Vem com a gente!
