A abertura das Olimpíadas e o futuro de Galvão Bueno

Ainda de ressaca da festa de abertura das Olimpíadas, escrevo essa coluna. Perdoem-me por qualquer arroubo sentimental, pois ainda estou emocionado com o Zeca Pagodinho.

O bom da internet é que apenas poucas horas após o evento, todos os assuntos parecem ter sido falados, antagonizados, debatidos e finalizados. O brasileiro recuperou sua auto-estima, as minorias foram empoderadas, o samba teve seu destaque, os refugiados emocionaram o mundo, o Guga é querido e o Vanderlei Cordeiro é um herói nacional, o Nuzman tremeu na base, o Temer é um golpista covarde e a Anitta é a Anitta.

Não precisando passar por esses tópicos, vamos ao que interessa: Galvão Bueno.

O herói cansado de carregar uma nação sobre seus ombros

Durante toda a transmissão, Galvão parecia um pouco abatido. Confuso, repetia palavras, gaguejava e perdia espaço para Glória Maria e Marcos Uchoa. Nem parecia aquele Galvão contundente que brigou com o Pelé, que narrou o gordinho se lambuzando em sorvete e Taffarel defendendo pênaltis em Copa do Mundo. Sem nenhum grande bordão criado, tivemos que nos contentar com frase genéricas como: “Aí chegam os japoneses” e “É bom demais ser brasileiro.” Isso sem falar que chegamos até a ter alguns segundos de silêncio na transmissão, coisa impensável no Galvão Clássico.

Será que o fardo de carregar as esperanças de uma nação inteira cansaram o guerreiro? Será que os últimos atentados e a crise política tiraram de Galvão a esperança de um mundo unido pelo esporte? Ou será que foi o fato da transmissão ter começado as 19h no Jornal Nacional (fato lembrado algumas vezes pelo próprio Mr. Bueno) foi demais para o físico de bebedor de whisky do nosso mestre?

Independente da resposta, uma coisa é certa. Você pode até reclamar do apogeu do Galvão, mas com certeza ele já passou.

E agora, (téo) José?

Já dizia aquele poema do Drummond: “Ou você morre herói, ou vive o bastante para se tornar o vilão”. Teremos ao final das Olimpíadas uma encruzilhada difícil para todos brasileiros: Ou Galvão se aposenta ou vai pra Record. E você, caro leitor, qual seria a sua decisão? E mais: quem tem o estofo moral e o músculo carismático pra substituir o mestre?

Olhando para as opções disponíveis, o futuro é sombrio pra torcida brasileira. Milton Leite é simpático, mas não tem o ufanismo necessário pra liderar uma nação em um Copa do Mundo. Cleber Machado é o rei da indecisão, nunca poderia ser incisivo e declarar categoricamente que “virou passeio”. Alex Escobar? Pfffff. Os caras da ESPN são todos muito sérios.

Sinceramente, não vejo outra solução que não seja decretar o fim do esporte em solo brasileiro. Vamos nos dedicar a leitura, aos estudos e a caça de espécies ameaçadas de extinção. E que Deus tenha piedade de nossas almas.

The last kiss

Mas antes disso, fiquem com este vídeo:

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Gustavo Ricci’s story.