Eu voltei para o Second Life e tudo que encontrei foi um Pixuleco.

Alguém ainda se lembra do Second Life? Havia uma época que o mundo todo ficou encantando com essa realidade virtual/rede social. Por um breve período, homens, mulheres, crianças e agências de publicidade tinham um lugar para desfilar seus avatares no que seria o futuro da internet. O tempo passou e o Second Life acabou, certo? Não para os 60 mil usuários ativos da plataforma (números de janeiro de 2016). Para conferir o que rola nesse lugar esquecido por deus eu mergulhei nessa não tão deep web. O relato a seguir pode ser desaconselhável para menores de 18 anos.

A decepção inicial

Ao logar no Second Life, esperava encontrar algo como a Detroit do Robocop, ou o mundo daquele filme com o Will Smith: um mundo pós-apocalíptico com lixo, prédios abandonados, coisas quebradas e, com sorte, zumbis.

Pra minha decepção era tudo mais ou menos como eu lembrava. Um The Sims mal feito, com uma interface tosca e vários bugs. Tudo é muito confuso. Não tem um tutorial (ou eu não achei, o que mostra o quão o UX é zoado). Você está ali, naquele mar de telas jogado a sua sorte. Fui logo explorar o lugar e falar com os locais.

I believe I can fly

Ah, você pode voar. SENSACIONAL.

O primeiro contato com os habitantes

Uma das coisas que me intrigava era o que diabos as pessoas faziam ali. Talvez fizesse sentido no início dos anos 2000, mas hoje com redes sociais, jogos online, etc, qual a razão de pra frequentar esse ambiente retrô?

A maioria das pessoas que encontrei eram indianos. Muitos indianos. Desde os tempos do Orkut, os indianos são os internautas mais aleatórios possíveis. Lembro de uma amiga que recebia dia sim, dia não um scrap hindu. O motivo para estarem ali? Nem eles sabem.

Todo mundo com quem eu conversava falava coisas como: “aqui dá pra fazer tudo”. Mas nunca explicavam o que era tudo. A conversa não fluia de jeito nenhum e eu comecei a ficar irritado. Basicamente, o pessoal usava como um chat. Um bate-papo do UOL onde você pode voar. Chato pra cacete.

Pra tentar estabelecer conversas melhores resolvi me livrar dos indianos e ir onde eu sabia que iria encontrar pessoas mais dispostas e me contar o segredo do Second Life: O Rio de Janeiro Virtual

Meu Brasil brasileiro

E lá chegando fui tomar um cafezinho, e vejo uma imagem reconfortante. Estou em casa!

O MBL investe nas mais diferentes frentes.

Sendo recepcionado pelo Pixuleco, senti as coisas melhorando. Comecei a circular e trocar ideia com os cariocas virtuais. Novamente, ninguém tinha nada de muito interessantes pra dizer e não sabiam explicar exatamente por que estavam ali. Comecei a achar que as pessoas estavam presas ali, em uma espécie de matrix e não conseguiam sair. Mas aí encontrei alguém realmente disposto a conversar. AndreMorais24, ou para os mais íntimos, Eterno Prazer.

Existiriam academias virtuais para chegar nesse físico definido?

Se tem alguma coisa que funciona na internet é putaria. Só pelo nome do rapaz, sabia que ali tinha algo interessante.

O curioso caso do pênis adquirido

Quando perguntado, AndreMorais24 me contou que além de conversar, o Second Life servia também para putaria. Desde o filme do James Cameron, nunca tinha ficado tão curioso para saber como seria uma relação sexual entre avatares. Mas, para minha infelicidade, meu guia virtual comentou:

“Para transar é só tirar a roupa do seu Avatar. Olha como estou sem camisa. Mas, dependendo de quando você entrou no Second Life, seu avatar não tem pênis. Você precisa comprar um. Ou descolar um de graça.”

Era só o que me faltava. Pensei em ir procurar essa loja de pirocas, mas talvez aí já fosse um pouco de mais. Voltei para o The Sims.

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