Cidade do Cabo, 28 de novembro do Ano de Xangô

Carne que arde

feito brasa.

Labareda brava.

A geografia da epiderme é uma forja acesa,

daquelas que nunca se apagam.

Sou um corpo-fogo de Xangô

que continua a se consumir

enquanto ela permanece aqui,

na cama ao lado.

Tão perto, tão longe.

É toda uma quimera,

seios de oceano que desejo navegar.

E, montadas nesse arranjo,

promessas de um acontecimento pairam no ar...

São cartas espalhadas de um baralho cigano,

nada profetizando.