Londres, 13 de setembro de 2014

A Inglaterra insiste em deixar um gosto amargo em meus lábios tropicais, esmaecendo as cores dos sabores úmidos e arianos que eu conservei por tantas semanas depois de ter passado pela Alemanha Oriental e suas noites de Priápo.

Minha estadia em Londres conjuntava-se, até agora, em um mosaico de promessas sexuais não concretizadas. Nesses dois últimos dias, quando deslizei meu vulto escalafobético pela movimentada Charing Cross, pela Piccadily, pelo Soho, pude ver, tenho certeza, olhares femininos conjugando verbos invisíveis de mudas juras indecentes.

No entanto, estava só.

E sei que vou me largar por ai, sozinho na merda da noite britânica, bebendo vinho num restaurante japonês com pratos esdrúxulos e tendo uma ereção a cada novo aroma feminino que preenche a orla violenta de minhas narinas.

Só…

Londres, Inglaterra