Amigos

Gustavo Chierici
Nov 5 · 3 min read

Este é o primeiro texto que eu pretendia escrever aqui, mas infelizmente precisei escrever sobre aquele triste ocorrido do meu primeiro texto aqui no Medium antes deste aqui, então se você ainda não o leu, leia, ele é muito profundo. A motivação de escrever isto veio de um momento nessa última sexta-feira em que estava entre amigos, após uma competição de derivadas — coisas de quem é de exatas — na universidade, num bar com temática especial para gamers e nerds no geral.

Chamei essas pessoas de “amigos”, mas é preciso fazer um adendo: eu não sou realmente muito próximo de nenhum dos que lá estavam, jamais me abri com nenhum deles e, dado a minha personalidade, talvez nunca me abra. Mesmo assim, se fossemos chamar de amigos apenas aqueles com quem nós falamos abertamente sobre nossas vidas, não teríamos como diferenciar os melhoras amigos dos parceiros de rolê, os bros dos não bros, os que nos fazem sorrir dos que nos fazem chorar. Por isso, continuarei chamando-os de amigos.

Conversamos sobre diversas coisas: jogos, comida, festas e até mesmo sobre o nossa icônico — e esta é uma forma muito precisa de descrevê-lo — professor de física. Dentre vários assuntos, surgiu um sobre “os grupos sociais da sala”. Existem os jogadores de LOL, os otakus, os gamers no geral, os super estudiosos, os “rolezeiros” e eu. Sim, eu! Como sempre na minha vida, eu não me encaixo em nenhum grupo, eu não pertenço realmente a nenhum deles, transito por alguns de vez em quando, mas no fundo eu sou diferente, eu sou algum tipo de aberração que não se sente como parte de nada, que conversa com todos, mas que não é um deles, eu sou eu.

Falando assim, parece que eu estou me depreciando e que isso me incomoda, mas não, já se foi a época com que eu realmente me importava com isso. Na verdade, eu passei a minha vida inteira esperando pelo momento em que eu entraria na faculdade e enfim me sentisse parte de um grupo, mas eu já estou na faculdade e ainda não me sinto, então eu me conformei com isso, afinal, dá para viver assim do jeito que eu sou hoje. Antigamente eu era extremamente tímido e introvertido, ficava em rodas vendo as pessoas conversarem e não dizia absolutamente nada, apenas ficava ali observando elas, pensando em como deveria ser bom realmente pertencer e se identificar com um grupo, e não apenas andar com ele e ser um “membro agregado”, digamos assim. Hoje eu converso, faço brincadeiras, conto piadas, dou risadas, então sabe, dá pra viver assim, dá pra viver apenas transitando pelos grupos sem realmente estar em algum deles, desse jeito eu acabo fazendo várias amizades em níveis diferentes e com pessoas totalmente diferentes umas das outras. Não posso negar, ser um estranho tem suas vantagens.

Naquela noite no bar, nós jogávamos conversa fora e nos divertíamos bastante, e eu observava muito bem cada um, entendendo suas personalidades, analisando seus grupos, e concluindo que eu não era como eles, eu apenas estava lá e somos amigos, mas eu não era realmente um deles. Talvez isso seja comum. Talvez todo mundo se sinta exatamente da mesma forma e ninguém se sinta realmente pertencente à nada, o que seria algo realmente muito triste, mas dado que eu sempre fui muito diferente de todos que já conheci em vários aspectos, é mais provável que eu seja apenas estranho mesmo, e como eu disse, eu já estou acostumado isso.

Já não alimento mais esperanças sobre isso, estou contente do jeito que estou, mas se um dia algum milagre acontecer e eu me sinta realmente parte de um grupo, eu espero que isso não me faça desvalorizar os amigos que fiz antes disso, afinal, pode ser que não sejam tão próximos e eu posso não ser um deles, mas amigos são amigos, ou “Thiagos”, como diria um amigo meu.

    Gustavo Chierici

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