Conheça a triste história de William Fox, o cara que criou a Fox

Toda grande empresa começa com uma grande pessoa e uma grande história. Resolvi fazer uma série contando as origens dos maiores estúdios de cinema americanos e para começar, resolvi falar da atual 20th Century Fox, talvez o maior de Hollywood depois da Disney.

Primeiro de tudo, a Fox se chama Fox por causa de um cara chamado William Fox, que lá no começo do século XX achou que seria uma boa ideia ganhar dinheiro com filmes. Lembrando que traduzindo para os dias atuais, isso significaria algo como alguém planejando ganhar a vida com vídeos no Youtube, em 2007, 1 ano após a criação do site…

William Fox começou tralhando em uma loja de roupas de seu pai. Depois de um tempo montou a sua própria lojinhae descobriu que os comerciantes que colocassem cartazes de “Grandes apresentações cinematográficas, a revolução da tecnologia, fotos que andam!” em suas vitrines ganhavam ingressos grátis pra ver as apresentações. Essa era uma estratégia de marketing dos exibidores da época. 
 
 Ele percebeu que se esses caras tavam tão interessados em fazer um marketing desse, isso só podia ser um ramo razoavelmente lucrativo. Vale ressaltar que ele era grande admirador de entretenimento em geral. Curtia uma dança, uma música…. Ele nem reparou na parte do cinema, pensou na parte das apresentações musicais mesmo que rolavam nesses lugares.

Depois de um tempo, ele e um amigo resolveram descolar um local, e passaram a fazer suas próprias apresentações, e isso começou a interessar o rapaz, que enquanto isso, mantinha a lojinha de roupas a todo vapor. Só que ele era um empreendedor nato, e depois de um tempo sua lojinha já valia U$50 000. Ao procurar um negócio pra investir esse dinheiro, ele descobriu que o ramo de cinema estava crescendo, e em 1904 comprou seu primeiro Nickelodeon no Brooklin. Nickelodeons eram os precursores do cinema como conhecemos hoje. Eram barracões abarrotados de gente que pagava 1 nickel pra ver filmes, daí o nome.

Fox saiu alugando prédios em Nova York e depois de um tempo já tinha 15 nickelodeons só no Brooklin. Mas ao contrário do que se possa pensar, esse era um ramo não muito bem visto pelas pessoas na época. Saca só o que o próprio William Fox disse sobre isso:

“Era um período no qual se um garoto fosse preso por roubo, seu advogado consideraria que a melhor defesa seria dizer que o garoto aprendeu a fazer isso assistindo filmes. Se um homem fosse preso por agredir sua esposa, seu advogado diria que o homem adquiriu esse hábito por que era frequentador de cinemas. Os jornais em todo o país, sem exceção a regra, eram os principais inimigos do cinema. Seja por que a população não tinha muito gosto por cinema, ou porque os jornais consideravam que este poderia vir a ser um grande concorrente no futuro”.

Hoje em dia é exatamente assim que os games são tratados pela sociedade.

A partir disso ele começou a comprar estabelecimentos em lugares cada vez maiores e fazer cinemas cada vez mais sofisticados.

Depois de um tempo, percebeu que ganharia mais dinheiro se passasse a distribuir os filmes também , criou a “The Box Office Attraction Film Rental Company” e passou a comprar filmes da Balboa Amusement Procuction Company, lançando diversos filmes em 1914.

Em 1915 ele percebeu que ganharia mais dinheiro ainda se fizesse seus próprios filmes, ele estava certo, e foi a partir disso que se tornou multimilionário.

Os primeiros lançamentos eram dramas melodramáticos bem toscos para os nossos padrões atuais. Filmes de tribunal, cavaleiros indo para o resgate e donzelas em perigo eram recorrentes na Fox. E foi nessa pegada que a Fox chegou ao ponto de fazer 70 filmes por ano nos anos 20. É filme pra caramba!

Em 1926 começou a mania dos filmes sonoros e Fox foi pioneiro ao comprar a patente do Movietone, um sistema que permitia que os filmes tivessem sons. Ele não marcou bobeira e logo após isso lançou o Movietone News, que era um cinejornal sonoro. Esse jornal tinha um locutor que falava sobre as notícias, e isso foi motivo suficiente pro Movietone News virar febre, e a Fox ganhou muita grana com esses jornalzinhos até 1963, quando ninguém mais dava a mínima pra ver jornal no cinema, sendo que podia ver em casa, e o Movietone News se aposentou.

Em 1929 ferrou pra todo mundo, a bolsa de Nova York estourou e começava ali a grande depressão.

Podemos dizer que para o Fox, a depressão foi no sentido literal, pois pouco tempo antes ele tinha comprado a Lowel’s Inc, que era dona da MGM, ou seja, Fox tinha virado dono tanto da Fox como da MGM. O problema foi que os antigos donos da MGM não gostaram nem um pouco disso e processaram-no por monopólio. Eles ganharam o processo, e no fim das contas o senhor Fox acabou pobre e indo pra cadeia. Maior depressão que isso impossível.

Ele provavelmente deve ter ficado assim:

Foi esse o dia que o grande William Fox não era mais dono da Fox Film Corporation, que alguns anos depois viria a se juntar com a 20th Century pictures para formar a 20th Century Fox.

A partir desse dia o senhor Fox foi esquecido, e dizem que na sua morte, em 1952, absolutamente ninguém de Hollywood compareceu ao seu enterro. Ele foi de pioneiro milionário do cinema a apenas mais um pangaré morando em Los Angeles.

Muitas vezes olhamos com admiração o sistema de estúdios americano e achamos lindo, mas na verdade o que acontece ali é um sistema industrial brutal que não perdoa ninguém, nem mesmo as pessoas que o criaram. Hollywood, assim como seus filmes, esconde por trás das cortinas histórias que em nada lembram seus filmes.

Sabe aquela salsicha que você come e acha deliciosa, aí chega um pangaré e diz “Você não comeria isso se soubesse como é feito”, pois é Hollywood também é assim.

Fonte: The Fox Film Corporation, 1915–1935: A History and Filmography — Aubrey Solomon

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