O dia do orgulho LGBT é seu dia, LGBT?

Você tem orgulho de ser quem é?

“Frente da Liberação Gay” / Foto tirada durante a Revolta de Stonewall em 1969.

Muito se fala sobre amor próprio antes de qualquer coisa. Confio em dizer que muito do que podemos passar para outros, como experiências, advertências e conselhos, é oriundo do que passamos interiormente com nós mesmos, todos os dias. Criamos aquilo que acreditamos, e acreditamos no que criamos — é parte e fruto de nós.

Ser membro da comunidade LGBT+ proporciona força para aqueles que um dia ficaram em silêncio ao serem reprimidos pela família, religião, escola e a sociedade em geral. O preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais (e outros) esteve/está presente na vida de pessoas que lutaram/lutam por amor e aceitação. Mas, antes do amor e aceitação de outros, elas precisaram se amar e aceitar.

O processo de aceitação de uma identidade de gênero ou orientação sexual que se difere da maioria (cis, hétero) é longo e difícil. Ninguém quer ser vítima de homo ou qualquer outra fobia, o que nos torna impotentes para erguer a voz e defender quem realmente somos. Apesar disso, a luta pelos direitos e visibilidade se tornou maior com o tempo e a História passou a ser marcada com cores fortes dentre um mundo de sombras.

Durante a década de 1970, os movimentos sociais desencadearam muita repressão guardada entre civis e militares. Os Movimento Negro e Movimento Feminista, por exemplo, deslancharam na mesma época gerando grande revolta na América conservadora. Não distante, a primeira revolta dos LGBT surgiu: Revolta de Stonewall em 1969.

“Cesse os ataques contra lésbicas e gays”, 1969.

O feito foi a gota d’água para dar voz àqueles que por muito sofreram sem apoio. A partir de então, a notoriedade de tais passou a crescer e hoje vivemos entre (alguns) benefícios da luta de nossos ancestrais.

É claro que os direitos civis para homens e mulheres que se identificam como não hétero ou cis oscilaram de tempos em tempos. Épocas e regimes ditatoriais esmagaram, prenderam e torturaram jovens e adultos em busca de revoluções. Porém, toda essa revolta não passa despercebida.

Durante toda a trajetória que traçaram no mundo, os LGBT marcaram bandeiras na mídia, no sistema governamental e na humanidade em si. O que antes era considerado inadmissível, inadequado, escandaloso, passou a ser visto nas ruas em paradas gays (contando, por exemplo, com 3 milhões de participantes na última edição paulista), na mídia com mensagens de David Bowie, Madonna e Lady Gaga, e em medidas estatais, como a decisão contra a intolerância no estado de Illinois ao derrubar o “pânico gay” (leia mais aqui). Recentemente, no Brasil, foi aprovada a medida preventiva contra a homofobia, onde agressores passarão a sofrer penas por casos do gênero.

Apesar de toda luta e conquista vista até hoje, desenvolvemos certo conformismo com a situação de nosso próprio ambiente, principalmente em cidades pequenas e sem grande foco social. Em casos como este, a homofobia e intolerância passa despercebida e é colocada embaixo do tapete. No último domingo, dia 25 de junho, fui organizador de um evento social na minha cidade voltado ao público LGBTQ+, que contou com a presença de mais de 180 pessoas. A experiência que tive com meus convidados foi a de saber que nós precisamos de mais vivências deste cunho, uma vez que existe muita coisa guardada dentro do armário, que fica bem perto do que nós estivemos um dia.

Então, o dia de hoje representa mais do que apenas ter amor próprio. Dia 28 de junho representa histórias, lutas, sangue e suor usados a fim de criar um palco para aqueles que foram e são rebaixados por machistas e intolerantes. É um dia para sentir orgulho de tudo aquilo que foi feito por nós e nos sentir amados por isso, nos amando por fazer parte de um diário cheio de recordações. É dia de criar e fazer mais pelo nosso povo. Dia de criar História.

Você é presente, você é História.