Tony 2017: Apostas e torcidas

Algumas apostas e comentários sobre a premiação mais importante do ano.

lista completa de indicados

Melhor Musical

QUEM VAI GANHAR: A corrida não tem um favorito claro como em anos anteriores (cof cof Hamilton cof cof), mas é seguro dizer que Dear Evan Hansen é provavelmente o favorito. Isso não quer dizer, entretanto, que a sua vitória seja garantida.

Natasha, Pierre and the Great Comet of 1812 é o líder de indicações ao Tony e diferente de praticamente tudo que já esteve na Broadway e Come From Away — que está gerando bastante buzz nas semanas recentes — conta uma história de generosidade e bondade humana bastante importante em tempos atuais, o que pode aumentar suas chances na premiação. O único musical que corre um pouco por fora é Groundhog Day, não necessariamente por ser o pior deles mas sim por ser adaptado de um filme e uma comédia, o que prejudica um pouco suas chances.

QUEM DEVERIA GANHAR: Nada mais revolucionário abriu na Broadway durante a temporada 2016–2017 do que The Great Comet. Com um staging único e imersivo que transformou o Imperial Theatre em um clube russo e a trilha genial de Dave Malloy, o musical baseado na obra de Tolstói merece muito levar a estatueta para casa.

Dito isso, Dear Evan Hansen também é fenomenal e, apesar de ser mais tradicional em sua fórmula, é um show poderosíssimo que fala sobre temas atuais e conta com performances incríveis de todo o elenco. Prefiro o cometa, mas a vitória de qualquer um será merecida.

Andy Karl em Groundhog Day
Melhor Ator em um Musical

QUEM VAI GANHAR: É difícil ver o Tony escapando de Ben Platt (Dear Evan Hansen), mas Andy Karl (Groundhog Day) também tem uma chance bem real. Além de entregar uma performance e tanto, ele continuou fazendo shows mesmo após lesionar seriamente sua perna em uma das previews de Groundhog Day, o que pode fazer com que votantes indecisos acabem o escolhendo.

QUEM DEVERIA GANHAR: Essa é difícil. Andy Karl está fenomenal em Groundhog Day e adoraria vê-lo levando a estatueta para casa, mas Ben Platt também é incrível e a emoção que ele deixa no palco do Music Box oito vezes por semana não deve ser ignorada. Ficaria feliz com qualquer um dos dois, e mesmo achando que o Ben merece mais, ele ainda terá muitas outras chances pela frente. Andy Karl ganhando o Tony me agradaria muito.

Melhor Atriz em um Musical

QUEM VAI GANHAR: É praticamente impossível Bette Midler (Hello, Dolly!) não levar o Tony por seu retorno triunfal aos palcos da Broadway, mesmo com Patti LuPone (War Paint) também na corrida.

QUEM DEVERIA GANHAR: Pra ser bem honesto, estou fazendo esse julgamento somente com base no que ouvi de alguns cast recordings mas o que ouvi da Patti me agradou mais, se bem que isso também é influenciado pelo fato d’eu preferir a música de War Paint e achar a de Hello, Dolly! meio qualquer coisa (desculpa gente). A Denée Benton (The Great Comet) não vai ganhar muito mas também gosto demais dela.

Ben Platt e Rachel Bay Jones em cena de Dear Evan Hansen
Melhor Ator Coadjuvante em um Musical

QUEM VAI GANHAR: Provavelmente Brandon Uranowitz (Falsettos), mas Lucas Steele (The Great Comet) também tem uma boa chance.

QUEM DEVERIA GANHAR: Lucas Steele (The Great Comet), nem que seja só pelo C# no final de Pierre & Anatole.

Melhor Atriz Coadjuvante em um Musical

QUEM VAI GANHAR: Quase tão certo quanto o fato de que o Sol nascerá novamente amanhã é que Rachel Bay Jones leva o Tony de melhor atriz por Dear Evan Hansen.

QUEM DEVERIA GANHAR: Também Rachel Bay Jones. Tive o privilégio de ver o musical ao vivo e apesar de Ben Platt ser a estrela do show, Bay Jones foi quem mais me impressionou e entregou a performance mais poderosa. Quem não vota nela depois de a ver fazendo Good for You ou So Big/So Small merece ser preso.

Josh Groban em Natasha, Pierre and the Great Comet of 1812
Melhor Score (música + letras)

QUEM VAI GANHAR: Dave Malloy por The Great Comet ou Benj Pasek e Justin Paul por Dear Evan Hansen. Os últimos têm a vantagem de serem um nome quente após a vitória no Oscar por La La Land, mas o score de Malloy é o trabalho de um gênio e isso deve prevalecer entre os votantes do Tony.

QUEM DEVERIA GANHAR: Dave Malloy por The Great Comet. O score de Malloy é ambicioso, inovador, variado, quebra expectativas e ainda inclui trechos de Guerra e Paz palavra por palavra. Eu amo Words Fail e Waving Through A Window como todo mundo, mas é injusto o score de Pasek & Paul levar o Tony quando algo como The Great Comet está na competição.

Melhor Libreto

QUEM VAI GANHAR: A corrida está acirrada, mas é bastante provável que temas atuais como rede sociais, suicídio adolescente e ansiedade levem a estatueta para Steven Levenson por Dear Evan Hansen. Entretanto, Come From Away (de David Hein e Irene Sankoff) pode conquistar alguns votantes com uma história baseada em fatos reais e que traz um necessário lembrete da capacidade dos humanos de fazer o bem, assim como Dave Malloy talvez consiga alguns votos para The Great Comet por sua inventividade ao adaptar Tolstói para a Broadway.

QUEM DEVERIA GANHAR: Todas os indicados são muito bons (até Groundhog Day, que não tem chance alguma de levar o prêmio), mas meu voto iria para Dear Evan Hansen.

Melhor Coreografia

QUEM VAI GANHAR: Honestamente, não faço ideia. Andy Blakenbuehler (de Bandstand) levou ano passado por Hamilton e é um nome quente, mas Groundhog Day (Peter Darling e Ellen Kane) também conta com algumas coreografias incríveis (só Hope já merecia o Tony, pra ser honesto) assim como The Great Comet (Sam Pinkleton).

QUEM DEVERIA GANHAR: The Great Comet. Montar uma coreografia boa e coesa em um palco normal já é uma tarefa complicada e Pinkleton faz algo ainda mais difícil: coreografa um espetáculo que acontece em vários locais diferentes do teatro ao mesmo tempo. Comet é uma das experiências mais incríveis que já tive em um teatro e muito disso se deve ao excelente trabalho do coreógrafo.

Cena de Come From Away
Melhor Design Cênico, Melhor Design de Iluminação e Melhor Direção

QUEM VAI E QUEM DEVERIA GANHAR: Esses três são de The Great Comet e não tem nem discussão. Sério.

O design cênico genial de Mimi Lien — que inclui até mesmo o lobby do Imperial Theatre — é fundamental para o musical e dialoga com o design de iluminação de Bradley King, enquanto a direção de Rachel Chavvkin faz excelente uso do trabalho feito pelos outros dois. O score de Dave Malloy é incrível, mas The Great Comet não seria nada sem o trabalho desses três.

Melhor Orquestração

QUEM VAI E QUEM DEVERIA GANHAR: Mais um de Great Comet, que provavelmente varrerá as categorias técnicas. Também feita por Dave Malloy, as orquestrações de Comet são — assim como o score — um trabalho de gênio e as responsáveis pelo musical ser tão incrível de ouvir.

Apostas secundárias:
  • Melhor Revival de um Musical: Hello, Dolly!
  • Melhor Peça: Oslo
  • Melhor Figurino em um Musical: Anastasia (Linda Cho) ou The Great Comet (Linda Cho)

Considerações finais

Apesar dos quatro musicais indicados serem bem bons, eu não me importaria de ver Come From Away voltar para casa de mãos vazias. Apesar de ser bom, ele está um nível abaixo do resto e suas chances residem menos no mérito e mais no seu apelo como um musical feel good em tempos de tempos de tensão política nos quais às vezes é esquecida a capacidade dos humanos de fazer o bem.

Além disso, espero que os votantes escolham The Great Comet em categorias como Score e Melhor Musical. Dear Evan Hansen é excelente, mas não é tão revolucionário quanto o musical baseado em Guerra e Paz e já vai levar prêmios de atuação e libreto. Que o inovador seja valorizado.