A quem a PM defende? Apenas mais um caso isolado, presenciado por mim.

Por Gustavo de Paula.

Hoje, lá pelas duas horas da tarde, estava com meus amigos no subway, almoçando. Quase todos já tinham acabado, estávamos só conversando.

Chega um morador de rua e entra lá (aqui chamaremos ele de “João”, mas não o conhecíamos). Estava tudo bem, quando nos deparamos com a seguinte situação onde um homem pediu para que João saísse do local. Não sabíamos quem era aquele homem, mas não parecia ser o dono de lá. João resistiu, disse que iria comprar um lanche.

Quando percebemos o que estava acontecendo, João já estava no chão. O homem deu um soco em seu rosto e o arrastou para a porta. João gritava para chamar a polícia. Devíamos?

Em uma pequena discussão que se seguiu após vários pedidos de João, decidimos que era melhor não ligar para a polícia. Já que a PM tem um péssimo histórico de oprimir minorias. Mas alguém chamou. No meio de tudo que estava acontecendo, tivemos a ideia de comprar um sanduíche para João. Entrei na fila. Comprei um sanduíche e um refrigerante.

Disseram-me que não era para ir entregar sozinho. Então logo depois que acabei a compra, sinalizei que tudo já estava pronto. Carol entregou o sanduíche para João. O policial que estava do lado disse: “Agora ce vai pra bem longe daqui!”, com um tom super-autoritário. Ana, que estava logo do meu atrás de mim disse bem baixo: “Cara, odeio a PM”. Tive que concordar.

“Por que? O que eu fiz?” — João respondeu.

“Porque senão vou te dar um couro…” — falou o policial

João não foi. O PM deu um soco no peito de João. João desequilibrou. Assustamos. Mais um soco, só que na costela. O copo de Coca caiu no chão. João caiu no chão. O PM deu um chute no corpo de João. Chutou de novo, agora na cabeça. João tentou levantar. Virou alvo de mais um soco. O PM finalmente parou.

Tinha tentado filmar, mas já era tarde de mais. O PM virou. Coloquei meu celular no bolso. Duas pessoas ajudaram João a levantar e levá-lo para outro lugar. Decidimos que era a hora de irmos embora.

Estávamos todos assustados. Muito assustados. O grupo se despediu e se dividiu, continuei com aqueles que iam voltar pra UFMG. O clima definitivamente não estava feliz. Fiquei pensando no que tinha acontecido. Entramos no interno e voltamos para a UFMG.

A Polícia Militar definitivamente possui policiais bem treinados e que fazem bom trabalho. Mas desculpe-me, não consigo eticamente ou moralmente defender uma instituição que bate em alunos, professores, e pessoas inocentes. Muitas vezes o policial é apenas um boneco do estado, mas isso não tira o caráter criminoso do ato.

“um militar sem formação política e ideológia, é um criminoso em potência.”