Gustavo Gerhardt
Aug 28, 2017 · 2 min read

Caro colega, me desculpe, li 3 vezes seu texto para tentar não ver o que me pareceu no primeiro instante, uma visão não amigável ou ácida demais sobre um grande nome da política que lhe deu a chance da matéria justamente por ter usado o trensurb.

Certamente ele não é Lula ou mesmo outra estrela petista (midiáticos e talvez só), que não poderiam sequer andar nas ruas, não pq são populares, não pq até merecem afagos, mas pq a militância é incomparável.

Vc queria o que? rodada de perguntas e respostas no trem? entre os passageiros?

Se o personagem fosse outro, não gaúcho, não PT, quem poderia causar o furor esperado? sem ovos é claro……

Aqueles que o acompanhavam tinham o direito de estarem ao seu lado e talvez inviabilizaram uma aproximação dos meramente “populares” que o reconheceram. Ainda que ele estivesse sozinho, qual a chance das demonstrações de popularidade q vc aparentemente evoca como legítimas para mostrar q o sujeito tem valor? Realmente, podem ser poucos e como gaúcho, sem partido, apenas atento e estudando minhas opções eleitorais, tenho vergonha pq poucos o conhecem, mas é preciso adicionar na cena uma boa dose daquele velho despreparo circunstancial de “cruzar com alguém que não deveria estar ali”.

Me diga quantos políticos fariam esse trajeto de trem? Será que Paim, Pompeo ou Ana Amélia (arghh) já o fizeram?

No seu parágrafo crítico sobre ele falar de números, economia e cifras e de concluir que isso o afasta do cidadão comum, me desculpe, mas vc faz uma ode à ignorância, vc esculacha a tentativa heróica e sincera dele e de outras figuras importantes do mundo político e intelectual de levar um pouco de racionalidade ao processo eleitoral.

Como diabos um cidadão pode avaliar e conhecer um candidato, minimamente, sem tangenciar esses assuntos?

Como ele pode ser cidadão e votar consciente, quando figuras que estimulam esse processo, como Ciro, recebem essa perspectiva de forma negativa de um formador de opinião?

Ciro em São Léo, na sua universidade, USANDO O SEU transporte, vc podia ter sido mais positivo, sem necessariamente perder a imparcialidade com isso, que pelo menos a mim, vazou às avessas.

Se acompanhares realmente as romarias que o sujeito tem feito, saberia que ele não quer ainda, e talvez nunca tenha, ainda que queira, as típicas cenas irracionais da paixão eleitoreira brasileira.

Acho formidável a tática dele de TENTAR cativar o público mais “preparado” intelectualmente dos eleitores brasileiros, embora a cada dia que passe, por tantas observações, esse público esteja ainda muito aquém do papel que lhe caberia na nossa sociedade caso fôssemos um pouco mais próximos do que deveríamos ser em termos de engajados e responsáveis pelos rumos da nação.

Ciro tem defeitos, é claro, mas não vejo as qualidades ou vá lá, interesses e dedicação dele, em outros nomes, por causa semelhante….. aliás, já houve alguma vez na história? assim, baseado quase que exclusivamente no diálogo?

Sem querer ser chato demais, mas em nossas estações, roletas, escadas e plataformas não cabem MILHARES, talvez centenas, forçando muito a barra. Dezenas é uma palavra mais adequada. No seu raio de visão e audição num vagão? eu diria que pouquíssimas pessoas.

Abç

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