Crise dos 30

Gustavo Jitsuchaku
Jun 22 · 3 min read

Esse desabafo saiu há várias semanas antes que de fato eu começasse a escrever, e ainda que muita coisa tenha mudado, inclusive pra melhor, a sombra dessas afirmações ainda assombram vez ou outra.

Essa crise não era algo que eu acreditava que poderia existir, até ler sobre e conversar com outras pessoas, inclusive, sob a minha perspectiva bem mais bem sucedidas na vida do que eu, nas diversas esferas da vida. Mas quando uma soma de sentimentos ruins começaram a ganharem nomes dentro do que eu vivia, a expressão da crise dos 30 surgiu como uma luva. Parecia que estava no inconsciente apenas esperando pra ser citada como algo real.

Não sei se o leitor tem 30 anos pra se assimilar e criar empatia. Ou se tem menos, e vive a real crise dos 20, no qual a vida adulta surge e parece que todas as decisões da sua vida são fatalistas, e não espaço pra arrependimentos e erros para o futuro. Ou seja você é mais velho, e vive a crise dos 40 anos e deve achar que isso tudo é apenas insignificante. Mas parece algo real, e em algum lugar eu cheguei a ler que isso é considerado como um ciclo dos 7 anos (e nada tem a ver com algo cabalístico), mas que na média a cada 7 anos, mudanças grande surgem no ciclo natural da vida, e isso nos faz pensar nas decisões do passado que interferem no presente, as escolhas que sentimos obrigados a tomar e o quanto afetaram nosso futuro.

Mas indo ao que interessa: ao que parece todo mundo nessa idade consegue se comparar baseado nos rumos diferente que seus amigos acadêmicos tomaram. Ou pior, nossa geração ainda se compara a loucura que nossos pais viveram, e achamos absurdos e nos sentimos mais incapazes, quando imaginamos que "na nossa idade, meus pais já tinham casados, já tinham 5 filhos, e tinham pago 1/3 do apartamento". Sei lá qual é o tamanho dessa loucura. Soa que as únicas pessoas visíveis são as que já resolveram seus problemas pessoais, carreiras, familiares, financeiras, escolhas. Já escolheram e foram aceitos em suas vocações. E das pessoas mais novas, tudo parece tão simples ou o excesso de certeza que existe na casa dos 20 é algo que volta a desejar ter. (Me desculpem aos leitores mais novos, mas isso essa é a realidade, e não é algo ruim, apenas da fase da vida). Todo mundo que "deu certo" ganha notoriedade e ofusca os "medianos" que como eu, ainda estão tentando e esperando a vida virar.

De volta a perspectiva humana, eu afirmo coisas que provavelmente eu nem acredite indubitavelmente, mas faz parte do processo (e você pode entender melhor o que quero dizer com isso nesse meu texto aqui), e assim, é bem provável que quando as coisas estabilizam, afinal nada dura pra sempre, até as consequências pra vida que geram (in)satisfação, a gente se acostuma com o sentimento, eu estarei avistando em alto mar as razões me assustar na crise dos 40.

Então talvez, essa crise dos 30 seja só mais um processo, que eu só consegui perceber que existe e enorme, porque ofuscou problemas de outra fase da vida. Afinal cada pessoa e cada idade enfrenta demônios condizentes com sua realidade, e eles são maiores do que tudo em cada perspectiva. Eu deveria me permitir, nessa oportunidade não procurar a empatia, mas oferecer a empatia com outras fases e outras pessoas, afinal, até mesmo aqueles que "deram certo" encaram seus próprios dilemas. Como aquele meme: tá todo mundo na mesma merda.

Esse texto faz parte do um projeto do blog pessoal, onde intento construir um narrativa dos pensamentos e reflexões, além de logs do que ando aprendendo. Você pode curtir(claps no Medium), comentar e dar feedback.
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Gustavo Jitsuchaku

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