Mesmo que não haja Aslam

Gustavo Jitsuchaku
Jun 22 · 3 min read

Em uma situação onde o personagem Brejeiro está preso num lugar lamacento com uma ditadora que além de escravizar a população, também afirmava que não havia um outro lugar diferente da realidade deles. Um lugar melhor, com a luz do sol, e grama verde, o oposto do pântano escuro que ali se encontravam, Brejeiro se opõe a Bruxa ditadora, afirmando que mesmo que não houvesse essa esperança de um lugar melhor (Nárnia), ou um rei bondoso, Aslam, ele preferia viver do lado dessa "imaginação" que a Bruxa má afirmava que era. Porque para o Brejeiro, se a mente dele era capaz de imaginar algo melhor que, como um padrão melhor do que a realidade que eles viviam, a consciência dele não poderia se permitir acreditar que a busca deveria ser interrompida.

Quase uma apelo apologético, mas o raciocínio lógico suposto por Lewis nesse livro infantil é um pensamento ontológico. Que dentro do pensamento cristão, aponta para o argumento filosófico de que minha mente é capaz de propor uma outra realidade, mais valiosa do que a atual, a probabilidade é que esse padrão diferente instigado na minha natureza, que gera uma esperança, é um ponteiro que indica o caminho pra se dirigir ou é um resquício de uma outra era onde, nós humanos, já estivemos. Em outras palavras, os padrões éticos não foram construções da modernidade, mas a evolução da civilidade na sociedade são resultados percepção humana de que queremos algo mais nobre pra se viver.

A parte da cosmovisão de fé, não é muito distante da realidade a incansável lutar que tenho em propor realidades diferentes pra se viver. Apesar de que as razões por trás possam se diferenciar nos contextos filosóficos de cada um, no final, o que muitos procuram é como evoluirmos como ser humanos, e aprendermos a vivermos em sociedade.

Um exemplo disso, conversava sobre esse assunto com alguns amigos, sobre como é difícil não espelharmos em nossos cotidiano o excesso de agressões que nos cercam. O egocentrismo que nos motiva a agirmos pela nossa sobrevivência, e a cultura sobre isso. Por um lado, há argumento de que isso é apenas uma construção por trás disso, e uma desconstrução resolveria o problema. Pelo outro lado, isso seria inerente ao ser humano, e a necessidade é de auto controle, pra dominar esse instinto agressivo.

Um outro exemplo sobre isso, é quando estou tentando fechar o ciclo de um projeto, pra que ele seja sustentável e consiga ser rentável, e acabo sendo empacado no contexto no lado ruim do jeitinho brasileiro, onde o desejo de despertar a cultura da confiança e honestidade é proposto pela aposta, considerando os riscos e prejuízos. Todo projeto que envolvam serviços e produtos, a fim de baratear a produção e aumentar a qualidade acaba envolvendo o lado do cliente, supondo que a honestidade é um padrão, e assim desburocratizar um processo, abaixando o seu custo.

Gostaria de viver numa sociedade onde a cultura da honestidade e confiança fosse o padrão. O meio que, sob minha perspectiva, encontrei pra que isso seja possível é perfil da esperança de governo justo e generoso, sob Aslam. E um espaço democrático e respeitoso como Nárnia. E mesmo que não haja Nárnia, gostaria de viver como um narniano. E mesmo que não haja Aslam, eu prefiro estar do lado dessa ideia, do que apenas aceitar que as coisas são assim.

Esse texto faz parte do um projeto do blog pessoal, onde intento construir um narrativa dos pensamentos e reflexões, além de logs do que ando aprendendo. Você pode curtir(claps no Medium), comentar e dar feedback.
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Gustavo Jitsuchaku

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