O dia em que posso dizer: me livrei do Windows!

Pessoalmente, nunca gostei do Windows. Acho ele um SO amigável, porém cheio de bugs (vírus!) e pouco produtivo comparado a seus concorrentes diretos. Mas por motivos profissionais, pessoais e gamísiticos nunca me desvencilhei de vez dele. Sempre me deparei em situações em que o Steam lança um jogo para Windows e não para Linux, ou ainda um servidor de produção todo em IIS, que possui codificação Windows-1252 (e alterar para UTF-8 é quase impossível, fora o bendito CRLF), enfim, uma série de fatores.

Mas em outubro/2014 fiz a resolução antecipada de 2015: não vou mais usar o Windows. “Chega dessa tranca”, falei comigo mesmo. No máximo uma máquina virtual para acessar um internet banking que não rode no linux (por conta daqueles módulos de segurança maravilhoosos que não rodam em outra plataforma) e olhe lá. Como meu conhecimento em linux é bem razoável e vem dos tempos do Slackware 10, Kurumin, (do saudoso) Conectiva, teoricamente não teria problema algum em migrar em definitivo. As vantagens seriam inúmeras. Pra quem é desenvolvedor PHP, o linux é perfeito para suas necessidades. Nada de xampp, wamp, “vamp”, easyphp ou outro artifício técnico. Dependendo da distro, você consegue instalar praticamente tudo com alguns comandos bem simples, com a vantagem de poder customizar seus builds. O composer, por exemplo, funciona praticamente sem nenhuma dor de cabeça. Sem contar também que você não é obrigado a instalar os updates de segurança, a escolha é sua. No Windows, se seu Windows Update está ligado e você recebe notificação de atualização, você DEVE atualizá-lo e reiniciá-lo, sob pena de sua máquina ser transformada em uma carroça.

Porém, no meio do caminho encontrei algumas pedras e tive que abrir mão de determinadas funcionalidades. Vou enumerar aqui porque sou um cara que gosta de estrutura de tópicos.

1 . O Libreoffice é bom, mas não chega aos pés do Office.
O Calc ainda sofre com alguns problemas de tradução, especialmente nas fórmulas. Algumas funções simplesmente se recusam a funcionar corretamente (vide o “Congelar Painéis” que no meu build (4.3.6.2), faltam mais opções na formatação de células, enfim. O mesmo vale para o Impress, que apresenta variados resultados quando é utilizado para abrir planilhas do Power Point.
Inicialmente, o paleativo que adotei foi instalar o pacote ttf-mscorefonts e utilizar mais o Google Docs. Usava o LibreOffice apenas quando precisava começar algum trabalho offline e finalizava quando estivesse online.

2 . O wine é bom, mas não é 100% estável.
O Wine vem como alternativa para que você consiga rodar um .exe, .msi (ou outro executável do windows) sem maio dor de cabeça. Mas se você der um pulo no winehq e consultar o appdb. vai ver que existe muito app win32/64 que roda bem, mas bugs no meio do caminho podem ocorrer e sua aplicação fechar inesperadamente.
Alternativa adotada foi tentar rodar os executáveis a partir do mono e procurar versões linux para meus aplicativos favoritos (como o heidisql, ultraedit, etc).

3. Senti uma falta danada do Photoshop e do Outlook.
O gimp é bom, mas sua estrutura de janelas me deixa confuso e improdutivo. Para sanar esse problema, instalei o Pinta, que é grátis e faz o que eu sempre fazia no PS: recortar imagens, colar imagens, copiar imagens, salvar imagens em outro formato…

Com o Outlook, foi o mesmo problema. Na minha opinião, ele é um dos melhores clients para enviar e-mails, receber e-mails, deletar e-mails — apesar de seu problema quase crônico com arquivos de dados acima de 4 GB — e o Thunderbird nem chega aos pés dele. Nisso, tive que ser radical: Matei o vovô internauta que havia dentro de mim, migrei para o Gmail e passei a gerenciar minhas mensagens por lá.

4. Jogos?
Aqui o principal problema não foram nem com as versões dos jogos, mas sim com os drivers da NVidia. A VGA (Geforce M640) de meu notebook só funciona legal no Ubuntu 14.04 LTS e SEM TOCAR nas configs. Culpa da NVIDIA que desde 1888 não deu a mínima para os usuários não-windows. Aliás, nesse caso, tive que largar de vez a jogatina no PC e abraçar os consoles em definitivo. O PS4 e o Nintendo 3DS ajudaram e muito nessa transição.

A carta de alforria foi assinada em fevereiro agora, quando pude adquirir do meu brother luso-irlandês Armando, do Intercâmbio a Dois, um Macbook Pro de 13', com core I5. Daí pude voltar a usar o Photoshop (e o Office) no OSX quando necessário sem problema algum e parar de usar a VM como antes.

Com isso, aboli de vez o SO da Microsoft e pude respirar mais aliviado. Meu sono até melhorou, posso inclusive me olhar no espelho e sentir mais confiante. O Macbook veio também em boa hora: quando preciso executar uma tarefa mais light, recorro à ele sem problemas, pois os internet bankings, por exemplo, funcionam bem no OSX Yosemite.

O que melhorou (ou piorou) de lá pra cá:

Acabei pegando uma alergia forte ao Windows. Semana retrasada tive que dar um help a uma amiga que estava com problemas no Windows 8 e daí percebi que meu OCD (vulgo TOC) está acentuado demais. Lento, vulnerável a vírus, bugado… Esses defeitos foram me consumindo de um jeito que não via a hora de resolver o problema e entregar a máquina.

Produtividade: como tenho um problema sério com procrastinação, estar no linux faz meu foco aumentar e ser mais produtivo. Consigo resolver meus problemas mais rapidamente, com o auxílio da boa performance do linux mesmo em PCs menos parrudos.

Me livrando do Steam fui beneficiado numa questão: pude direcionar tudo aquilo que gastava mensalmente com as promoções em outras coisas, como contratação de hosting, licenças de software, compra de templates para meus projetos, ao invés de gastar num jogo que muitas vezes sequer o instalava na máquina (é, eu fazia parte dos 37%). Ele ficava ali na lista de jogos com a promessa de que um dia fosse aproveitado. Hoje quando penso em comprar algum, vejo sempre se há no Humble Bundle. Fiz também a assinatura da PS Plus, que me dá direito a 02 jogos (ou mais) por mês. Muitos deles são indies, mas ultimamente eles tem me proporcionado maior diversão que os AAA, o que será contado numa outra oportunidade. Pode ser que talvez um dia eu volte a usar o aplicativo da Valve para jogar alguma coisa, mas com certeza será no Linux.

Pude também dar um passo importante para me livrar da pirataria, arraigada na nossa cultura de modo que somente nossas próximas gerações poderão se livrar dela. Enfim, nada de crack para ativar windows, deixá-lo desatualizado, etc. Com os outros softwares foi o mesmo

Concluindo, o conselho que dou para quem quer sair do Windows é paciência. Para procurar uma versão alternativa do seu aplicativo, para utilizar o substituto, para entender um pouco melhor como funciona o Linux (instalação, diretórios, drivers), e principalmente, paciência para encarar a frustração como algo real, iminente mas que não seja motivo para desistência.

Não desista, bravo guerreiro. O final com certeza será muito recompensador e chegando lá você vai poder dizer: Hoje, eu me livrei do Windows!
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