A espera

No alto da montanha mais elevada de um universo fantasioso havia um homem que esperava.

Esperava a realização de sonhos frustrados.

Esperava uma máquina do tempo.

Esperava dias menos solitários e a companhia dos carinhos mais simples.

Esperava maturidade e entendimento.

Esperava a mais clichê das utopias.

Durante o seu aguardo, observou a escalada de mais de mil sinônimos de tristeza, todos dispostos a acompanhá-lo. A primeira tristeza chegou ao topo e estava tudo bem. Veio a segunda e ele sentiu um breve incômodo. A terceira, a quarta, a quinta, a sexta e a sétima. Todas buscavam abrigo nos ambientes livres que encontravam. Após a recepção da penúltima, os lugares disponíveis quase chegaram ao fim. Mas ainda restava a última. O único espaço vazio era agora o coração do homem. Olhou para baixo e pensou em saltar antes que a derradeira melancolia viesse a habitá-lo. No entanto, optou por algo inimaginavelmente pior.

Ele permaneceu esperando.

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