Questionário regressivo

Existe um curioso vício deste que aqui escreve em sempre colocar a terceira pessoa como detentora dos meus próprios devaneios. Ele, o jovem, o rapaz, o homem... Todos servindo como escudo para que eu não seja atingido pela minha própria história. Mas quem sou eu? E qual história é essa?

Talvez o uso das pobres almas imaginárias como um reflexo daquilo que pertence somente a mim acaba sendo a possibilidade de fugir dos males que a existência traz. Mas quem sou eu? E quais males são esses?

Escapismo. Até hoje não houve muita novidade no que diz respeito às dores não físicas. Existir é a maior delas. As minhas palavras, no entanto, estão sempre desenvolvendo algo relacionado ao que os outros acreditam ser o amor. Mas quem sou eu? E o que é o amor?

Pausa. Agora vem a parte na qual eu quebro a expectativa e não encerro o parágrafo com a mesma pergunta já feita três vezes até então. Mas ela volta, eu prometo, depois da contagem regressiva. O progresso é papo furado. 3, 2, 1. Zerou.

E não voltou. Encerra-se aqui mais uma promessa não cumprida, assim como todos os detalhes do mundo.

Era apenas para ser.

E foi.

Não é.

Não será.

Será?

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