Cuca, Palmeiras e o ‘Efeito Líder de Torcida’

Treinador fala o óbvio e mostra que trabalho não é tão diferente que em 2016. Pena que isso não é positivo

O torcedor palmeirense olha abismado em 2017 não para o placar, com um possível resultado expressivo a favor de um time de pouca expressão como em anos anteriores, mas para dentro de campo. O time montado com o crème de la crème do mercado da bola não consegue apresentar nem de longe a qualidade esperada. E pior: a torcida começa a constatar que o time de Eduardo Batista jogava melhor que o de Cuca.

O atual comandante do Alviverde chegou com pompa de craque: a torcida vestiu a calça roxa e comemorou. Afinal, a única posição sem uma estrela no elenco de 2017 ganhava um nome à altura. Voltava o técnico que encerrou a fila de 22 anos no Brasileirão. Campeão da Libertadores com o Atlético-MG. O homem certo para fazer os craques contratados jogarem de terno e gravata, afinados como uma orquestra.

Na entrevista coletiva desta sexta-feira o técnico defendeu seu time, falou em “evolução” e mostrou o óbvio: o elenco deste ano não tem campanha tão diferente da do esquadrão campeão em 2016.

“Se a gente consegue três vitórias podemos acabar o turno com 35 pontos. No ano passado a gente tinha 36 pontos no final”, disse Cuca. Não é tarefa impossível. São dois jogos em casa contra Avaí e Atlético-PR, dois times que lutam contra o rebaixamento.

A questão é que, desta vez, o copo está meio vazio. Não é o time deste ano que joga um futebol de campeão, mas sim o do ano passado que estava longe de ser tudo isso. A diferença em 2017 é que o comparativo é com o atual líder, Corinthians, que sem fazer muito esforço já tem 40 pontos.

E o chamado “Efeito líder de torcida”, explicado por Barney Stinson, da série How I Met Your Mother (interpretado por Neil Patrick Harris): no homogêneo torneio do ano passado, o Palmeiras parecia mais bonito do que realmente era. Com o Corinthians se destacando da massa, as imperfeições começam a ficar mais evidentes.

A campanha campeã ficou marcada pelo chamado “Cucabol”. Nome dado pelo jornalista Mauro César Pereira a um time que não apresentava um futebol vistoso, que não aproveitava a qualidade técnica de bons jogadores e ganhava seus jogos com pouca criatividade em uma jogada manjada.

Basta ver a reta final do Brasileirão 2016:com a queda de produtividade de Gabriel Jesus, o Verdão mostrou sua cara. uma rápida passagem pelas crônicas de jogo da época mostra a semelhança com o time deste ano:

“Com marcação forte e velocidade nos contra-ataques, a Raposa apertou e criou oportunidades diante de um Verdão que sentiu o ritmo e pregou” (PALMEIRAS 0 x 0 CRUZEIRO — matéria do GloboEporte.com).
“O Palmeiras não conseguiu sair da forte marcação do Figueirense e praticamente não teve criação de jogadas” (FIGUEIRENSE 1 x 2 PALMEIRAS — matéria do Estadão).
“Mesmo sem fazer uma grande partida diante de 31 mil torcedores, o Palmeiras, com o desfalque de Gabriel Jesus, suspenso, não vacilou contra um dos clubes que brigam contra a degola”. (PALMEIRAS 2 x 1 SPORT — matéria do GloboEsporte.com)
“Não foi uma atuação brilhante do Palmeiras. Longe disso”. (PALMEIRAS 1 x 0 INTERNACIONAL, matéria do GloboEsporte.com)

Cuca justificava a falta de qualidade dentro de campo com a pressão pelo título: “Vencemos, o que é mais importante neste momento”, disse o treinador após a vitória contra o Internacional.

Difícil imaginar o Palmeiras sem pressão para ser campeão, mas vamos supor que ela, neste ano, seja tão grande quanto no ano passado devido ao alto investimento. Estranho seria que, com o mesmo técnico, houvesse um futebol diferente dentro de campo.A pergunta é: se é isso que Cuca pode apresentar, ele é o técnico ideal para o Palmeiras?

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