Cuca, Palmeiras e o ‘Efeito Líder de Torcida’

Treinador fala o óbvio e mostra que trabalho não é tão diferente que em 2016. Pena que isso não é positivo

Gustavo Zucchi
Jul 29, 2017 · 3 min read

O torcedor palmeirense olha abismado em 2017 não para o placar, com um possível resultado expressivo a favor de um time de pouca expressão como em anos anteriores, mas para dentro de campo. O time montado com o crème de la crème do mercado da bola não consegue apresentar nem de longe a qualidade esperada. E pior: a torcida começa a constatar que o time de Eduardo Batista jogava melhor que o de Cuca.

O atual comandante do Alviverde chegou com pompa de craque: a torcida vestiu a calça roxa e comemorou. Afinal, a única posição sem uma estrela no elenco de 2017 ganhava um nome à altura. Voltava o técnico que encerrou a fila de 22 anos no Brasileirão. Campeão da Libertadores com o Atlético-MG. O homem certo para fazer os craques contratados jogarem de terno e gravata, afinados como uma orquestra.

Na entrevista coletiva desta sexta-feira o técnico defendeu seu time, falou em “evolução” e mostrou o óbvio: o elenco deste ano não tem campanha tão diferente da do esquadrão campeão em 2016.

“Se a gente consegue três vitórias podemos acabar o turno com 35 pontos. No ano passado a gente tinha 36 pontos no final”, disse Cuca. Não é tarefa impossível. São dois jogos em casa contra Avaí e Atlético-PR, dois times que lutam contra o rebaixamento.

A questão é que, desta vez, o copo está meio vazio. Não é o time deste ano que joga um futebol de campeão, mas sim o do ano passado que estava longe de ser tudo isso. A diferença em 2017 é que o comparativo é com o atual líder, Corinthians, que sem fazer muito esforço já tem 40 pontos.

E o chamado “Efeito líder de torcida”, explicado por Barney Stinson, da série How I Met Your Mother (interpretado por Neil Patrick Harris): no homogêneo torneio do ano passado, o Palmeiras parecia mais bonito do que realmente era. Com o Corinthians se destacando da massa, as imperfeições começam a ficar mais evidentes.

A campanha campeã ficou marcada pelo chamado “Cucabol”. Nome dado pelo jornalista Mauro César Pereira a um time que não apresentava um futebol vistoso, que não aproveitava a qualidade técnica de bons jogadores e ganhava seus jogos com pouca criatividade em uma jogada manjada.

Basta ver a reta final do Brasileirão 2016:com a queda de produtividade de Gabriel Jesus, o Verdão mostrou sua cara. uma rápida passagem pelas crônicas de jogo da época mostra a semelhança com o time deste ano:

“Com marcação forte e velocidade nos contra-ataques, a Raposa apertou e criou oportunidades diante de um Verdão que sentiu o ritmo e pregou” (PALMEIRAS 0 x 0 CRUZEIRO — matéria do GloboEporte.com).

“O Palmeiras não conseguiu sair da forte marcação do Figueirense e praticamente não teve criação de jogadas” (FIGUEIRENSE 1 x 2 PALMEIRAS — matéria do Estadão).

“Mesmo sem fazer uma grande partida diante de 31 mil torcedores, o Palmeiras, com o desfalque de Gabriel Jesus, suspenso, não vacilou contra um dos clubes que brigam contra a degola”. (PALMEIRAS 2 x 1 SPORT — matéria do GloboEsporte.com)

“Não foi uma atuação brilhante do Palmeiras. Longe disso”. (PALMEIRAS 1 x 0 INTERNACIONAL, matéria do GloboEsporte.com)

Cuca justificava a falta de qualidade dentro de campo com a pressão pelo título: “Vencemos, o que é mais importante neste momento”, disse o treinador após a vitória contra o Internacional.

Difícil imaginar o Palmeiras sem pressão para ser campeão, mas vamos supor que ela, neste ano, seja tão grande quanto no ano passado devido ao alto investimento. Estranho seria que, com o mesmo técnico, houvesse um futebol diferente dentro de campo.A pergunta é: se é isso que Cuca pode apresentar, ele é o técnico ideal para o Palmeiras?

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade