Certo dia ouvi de uma amiga que as pessoas conhecem muitos diferentes assuntos por mim mas que no geral mostro a elas muito pouco de mim. Também aprendi com outra amiga que se a gente quer que as pessoas sejam abertas e generosas conosco, precisamos instaurar essa generosidade e abertura nas nossas vidas.

Atualmente moro entre casas no Airbnb e quartos de hóspedes de amigos em pelo menos 6 capitais do Brasil.

O que carrego comigo entre viagens cabe em uma mochila, uma mala de 23 kg e uma mala de mão.

Dependendo do período de estadia levo só a mochila e a mala de mão. Ou só a mochila. Nesse tetris tenho tantos gadgets quanto tenho roupa, mas a prioridade na mala são os gadgets.

A maioria das minhas peças de roupa são pretas, brancas ou cinzas. O mesmo vale para sapatos. A exceção é o casaco de paetê neon que ganhei de presente.

Com a quantidade limitada de peças na mala, penso os look de acordo com o clima de onde vou estar, o assunto que eu vou falar e o mood do que mais eu tenho que fazer.

Sem espaço na mala e sem peso adicional na franquia de viagens em companhias aéreas, raramente eu sinto vontade de comprar roupa.

Cataloguei meus livros impressos para vender e então recomprá-los no Kindle. Descobri que a maioria das recompras seria pelo desejo de posse mas isso não faz sentido no digital, então estão em uma wishlist para quando eu precisar acessar o conhecimento de algum deles buscar no Kindle Unlimited antes de recomprar.

Quando compro algo busco saber origem, procedência, materiais e causas com as quais a marca se conecta. Quase tudo que visto hoje é vegano e/ou de algum tipo de material orientado a um futuro mais sustentável. Em tecnologia ainda é bem difícil aplicar esse filtro, então dobro o meu senso de o quanto aquilo é necessário.

Sou vegano, prático yoga, mas o que faz bem pra mim não necessariamente é que faz bem para os outros. Deixei de lado os 'certo' e 'errado' absolutos. Vivemos na transição de era de um mundo complexo e em um tempo em que a mudança é a única constante.

O maior desafio é manter a alimentação e práticas saudáveis como hábito na minha não rotina. As dicas de amigos locais são a minha principal ferramenta de consulta.

Digo que eu moro "exatamente aqui e agora", mas aluguei com meu namorado um apartamento em Amsterdam que tem meu nome e o dele em uma plaquinha na porta. Até o presente momento, nunca estive em Amsterdam.

O namoro vai muito bem. Sim, temos um relacionamento aberto. Não, a abertura não foi devido à distância por causa das viagens. Amadureci um monte no meio do caminho e é muito rico ter com quem compartilhar esses aprendizados. Amar e ser amado do jeito que se é é uma das melhores experiências que já vivi na vida.

Sou parceiro de muitas empresas. Em todas elas me conectei com pessoas incríveis e inspiradoras com quem aprendi que as pessoas por trás das marcas são a ignição de qualquer revolução.

Não faço parte de nenhuma empresa. Trabalho por projeto e meu nome está associado a um número de projetos simultâneos que as vezes é absurdo contar.

Trabalho com educação, consultoria, mentoria e estratégia relacionadas às lentes de comunicação, marca e negócios voltadas para pessoas, profissionais e empresas que buscam estar alinhadas ao espirito do tempo.

Ainda assim, querer ser do seu tempo é já estar ultrapassado, então é uma jornada com muitos passos a serem dados. E a única previsão assertiva sobre o tempo é que ele está passando.

Tive que aprender a trabalhar remoto. A ser Officeless. A reunir pessoas ao redor do mesmo propósito. Sem elas nada disso aconteceria.

'Sozinho' é um conceito que quero apagar do meu léxico profissional. Porque meu corpo não é uma máquina e sim um organismo com limites e porque acredito em um mundo onde tudo possa acontecer a partir de redes distribuídas e interdependentes. Sozinhos até chegamos mais rápido, mas juntos chegamos mais longe.

Até o momento tenho um único troll/hater entre a minha lista de amigos que encontra um ponto de crítica para absolutamente tudo que ele sabe sobre mim e provavelmente tudo isso vai ser usado como insumo nesse sentido. E enquanto eu extrair algum aprendizado dessas críticas, respiro fundo e sigo em frente tentando melhorar.

Aliás, eu erro um monte. Mas também sou meu maior crítico, e geralmente estou pensando em como melhorar algo mesmo enquanto recebo um elogio.

Pensei em pedir desculpas ao final desse texto por estar falando tanto de mim. Mas mudei de ideia já que a intençâo é justamente ser mais transparente e próximo de quem está aqui e quer saber, para além da minha visão sobre o mundo, a minha visão sobre mim. As lente que trazemos conosco para observar o mundo dizem bastante sobre o que vemos no mundo.

Se alguém quiser me perguntar algo, me sugerir algo, me criticar em algo, a sugestão mais efetiva é me chamar para conversar.

Sim, quando eu começo a falar eu falo bastante. Mas coloco intenção no que falo e também escuto ativamente e com bastante atenção.

Mesmo entre pontes aéreas e projetos, dou foco e respondo como prioridade - que nem sempre significa com urgência - a todos que me procuram.

Compartilhar meu tempo com alguém é um ato de amor pois ele é meu bem mais valioso. Sempre espero que, ao compreender como encaro o (meu) tempo, as pessoas não o desperdicem. No geral tem dado certo.

Eu acredito no paradigma da abundância ao invés da escassez. Em todo espaço de competição sempre há uma oportunidade de colaboração e é assim que eu encaro relações, projetos, negócios... a vida. Se isso parece muito de humanas, nas exatas o conceito se chama 'non zero sum game'.

Nem tudo é sobre ganhar e perder e é sempre bom revisitar o que a gente considera como nossas métricas de sucesso.

Meus amigos de sempre são as pessoas que mais admiro. Admiro muita gente que nesse caminho me tornei amigo. Por isso me vejo em poucos casos no conceito de ser fã de alguém e não gosto da ideia de que alguém seja meu fã.

Da para admirar as pessoas de forma horizontal, sem colocar ninguém em um altar. Todo mundo sabe algo, faz algo, viveu algo, que dali possam existir aprendizados para outras pessoas. O problema de comparar alguém com Gandhi é que no dia a dia ninguém chamaria Gandhi para um café sem ser em busca de conselhos. Ninguém pensaria em contratar Gandhi. Ninguem se sentiria atraído por Gandhi. No sentido prático, pessoas reais são muito mais interessantes.

Aprendi que celebrar é muito importante. Nossas conquistas e nossas derrotas. Nossos acertos e falhas. Se não a gente pula de uma prioridade para a outra e quando vê já se passaram dias, meses, anos, a vida toda.

Há pouco mais de um ano a maioria disso já estava aqui, porém ainda era uma energia em ebulição. Existia em potência, porém ainda a se concretizar.

Daqui a um ano a ideia é estar replicando essa mesma lógica em pelo menos 6 países, mas trazendo comigo e mantendo a relação próxima com as 6 cidades do início desse texto.

A vida é mesmo uma aventura.

Gustavo Nogueira (Gust)

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founder @toruscx #time #temporality #zeitgeist #activism from the amazon rainforest to the world – now based in amsterdam