Como nascem as ideias

Muito já se falou sobre criatividade e como ser criativo.

Mas quando a gente pega pra estudar o assunto — eu faço isso há mais de 15 anos — descobre que a coisa é mais simples do que parece.

Não estou dizendo que é fácil ter ideias relevantes e inovadoras, assim como quem faz um ovo cozido.

O que quero dizer é que qualquer pessoa pode ter boas ideias.

De estivadores a cientistas, passando por economistas, fisiculturistas e diretores de marketing.

Não tem essa de que criativos são seres superiores, tocados por Deus para serem fonte de inventividade na Terra.

Acontece que, em geral, as pessoas não entendem o contexto como as ideias são concebidas.

E espero que esse artigo ajude a desmistificar um pouco.

Se você tirar toda a gordura sobre o que já escreveram sobre criatividade, restam apenas duas coisas:

1. Uma ideia nada mais é do que a combinação de velhos elementos.

Nenhuma ideia vem do nada.

Pare e pense: qual a última coisa realmente original, nascida no vácuo, que você viu?

É tudo mashup, tudo remix.

Todo trabalho criativo é construído em cima de elementos que vieram antes.

É assim no cinema, na física, nas artes plásticas, nas startups do Vale do Silício.

Na publicidade não é diferente.

Como diria Sir John Hegarty…

“A originalidade depende da obscuridade das suas fontes.”

Ele é o H da BBH, você vai discordar?

Saber que nada é genuinamente original é um alívio e tanto.

Tira um peso grande das costas na hora de tentar criar algo novo, do “zero”.

É tudo uma questão de fazer novas combinações.

O que nos leva ao segundo ponto.

2. A capacidade de formar novas combinações depende da habilidade de enxergar relações.

Essa habilidade todo mundo tem.

E como qualquer outra, você precisa praticar.

Sai na frente quem tem mais conhecimento e mais experiências na bagagem.

Essa é a diferença entre pessoas que têm ideias brilhantes e outras que têm ideias assim-assim.

Ser curioso, então, ajuda pra caramba.

Queira saber sobre tudo: dos assuntos que te interessam aos que você torce o nariz.

E não pare nunca de aprender.

Para fazer novas aspas, vou citar John Hunt, da TBWA\Hunt\Lascaris:

“O espaço entre o que você já sabe e o que você está explorando é, geralmente, onde as melhores ideias aparecem.”

É aquele negócio: quanto mais variados os inputs e mais inesperadas as combinações, mais criativas serão suas ideias.

Não tem segredo.

Aprenda e experimente coisas novas todos os dias, até você ter falência múltipla de órgãos.

Seu inconsciente vai cuidar de fazer novas e novas combinações.

Teve uma grande ideia? Ótimo.

Mas saiba que isso é só o começo.

Depois vem etapas ainda mais espinhosas que são: desenvolver a ideia, convencer alguém a pagar a conta, produzir e compartilhar com o mundo.

Se nada disso for feito, me desculpe, mas sua ideia já nasceu morta.