Uma atitude campeã

Segundo um estudo de 2011, somos bombardeados, por dia, pelo equivalente, em informação, a 174 jornais. Ler demais não torna uma pessoa sábia. Falar demais ou de menos não torna uma pessoa sábia. Ter muita informação não torna uma pessoa sábia. O que torna uma pessoa sábia é saber utilizar o conhecimento que possui no momento correto, da maneira correta. Entenda-se por “correto” aquilo que gerará os melhores resultados para um determinado propósito.

Além do excesso de informação disponível hoje em dia, é sabido que os mecanismos de mídia se utilizam do impacto emocional de suas notícias para gerar audiência em suas redes. O resultado disso é uma presença constante em jornais, televisionados ou não, de tragédias e/ou eventos que, de alguma forma, geram emoções fortes.

Por essas razões, eu escolhi manter uma distância segura dos meios de comunicação de massa, escolhendo a dedo os locais onde busco informações e quais informações busco. De maneira geral, busco informações que vão auxiliar no meu trabalho e ajudar a mim e a outros a evoluir.

Mesmo com todo o meu cuidado, é muito difícil não ouvir o som do panelaço que vem diretamente para meu apartamento e me perguntar qual a razão da bagunça. Foi assim que descobri o que tem acontecido no meio político nos últimos dias. O fato de eu escolher as informações que busco não significa que não me importe com meu país. Ao mesmo tempo, não acho que uma “bruxa” (ou “bruxo”) que caia ou um partido que seja descreditado vai consertar o país. Existem muitos outros políticos corruptos ou incompetentes em vários outros partidos.

Ao mesmo tempo em que escolho a dedo a informação que vou buscar, também não consumo tudo o que chega até mim por Whatsapp; se o que chega é muito interessante ou muito relevante para meus interesses, eu vejo. Recentemente recebi um vídeo da Bel Pesce que passa uma mensagem que se assemelha muito com a visão que tenho do que está acontecendo e do que precisa ser feito para o Brasil evoluir.

O vídeo se encontra aqui.

O texto se encontra aqui em Português e aqui, no original, em Inglês.

Para quem prefere utilizar dezesseis minutos de seu tempo para outra coisa, em suma, o texto diz que o problema com o Brasil está em cada um dos brasileiros que ou tenta levar vantagem de alguma maneira ou é conivente com alguém que faz algo errado. Ele vai polêmica e profundamente adiante o suficiente para entrar em laços familiares e citar como nós, brasileiros, estamos sempre prontos para ajudar um familiar que não soube cuidar das próprias finanças e cuidamos que ele ou ela continue se endividando e/ou não aprendam a lidar com o problema de forma independente.

E o que precisa ser feito para evoluirmos como nação? Cada brasileiro mudar a si mesmo.

Já ouvi, infelizmente com muita frequência, que “só eu mudar não adianta em nada”. O que acontece é exatamente o oposto: a única mudança que existe é com a gente mesmo (não sou só eu que acredito nisso; citações aqui, aqui e aqui). Acredito que muitos vão pensar que eu estou errado e que já foram capazes de “mudar” alguém. Exemplos, já os ouvi às centenas: namoradas que mudam namorados, chefes que mudam subordinados, amigos que mudam amigos… No entanto, essa “mudança” não é uma mudança real, é temporária: simplesmente uma adaptação a uma situação com a qual a pessoa se sente motivada em continuar (o namoro, o emprego, a amizade…). A partir do momento em que ela perde essa motivação, “cai na real”, volta ao estado anterior ou deixa de ouvir a pessoa que a “mudou”. Ocorre o mesmo fenômeno de “voltar ao estado anterior” quando a pessoa que está tentando mudar a outra deixa de fazer parte da vida dela, de alguma forma (termina o namoro, larga o emprego, muda-se ou muda de círculo de amizade…).

No fundo, a visão de que “não adianta só eu mudar” é mais uma questão de ser paciente, ou seja, não esperar que o resultado da mudança se manifeste imediatamente, do que uma questão da mudança interior ser efetiva ou não.

Imagine o cenário hipotético em que todos os brasileiros (exceto os políticos que hoje estão no poder), decidissem mudar a si mesmos ao mesmo tempo. Nesse caso, é muito provável que as únicas mudanças imediatas que víssemos fossem corriqueiras, como, por exemplo, um trânsito menos caótico, mais pessoas procurando por emprego honesto e não tentando roubar ou levar vantagem sobre os outros (ganhar dinheiro “fácil”) entre outras. No entanto, a real e mais importante mudança aconteceria quando os políticos que hoje estão no poder fossem substituídos, ao final do cargo ou por outro mecanismo, por esses brasileiros que repentinamente mudaram para adotar uma melhor mentalidade e atitude. Nós tomaríamos o poder (de forma pacífica e civilizada, por favor; nada de golpe) e começaríamos a priorizar o que realmente importa para o país.

Isso não é o mesmo do que descartar essa mudança hipotética e simplesmente trocar o governo atual. É muita ingenuidade achar que, só porque o político não está no poder hoje ele não é corrupto (ou não tem intenção de ser) ou incompetente; tem que existir a mudança com todos.

E mesmo que houvesse pouca experiência política de quem está entrando, fazendo o que é correto e contando com a ajuda uns dos outros (afinal ninguém governa sozinho), acredito que faríamos um trabalho muito melhor do que o que está sendo feito nos mais altos escalões do governo. Mas isso levaria tempo, nada de imediato.

Quanto tempo? Na minha visão, estimo que no mínimo uma eleição e mais dois anos para vermos qualquer mudança significativa. Isso significa, já que escrevo isto em 2016, mais quatro anos para vermos qualquer mudança significativa. E isso no caso hipotético em que todos nós mudamos a nós mesmos adotando a melhor mentalidade e atitude possível, ao mesmo tempo.

Ou seja, no cenário atual em que, mesmo tirando algum ou alguns políticos do governo, não sabemos qual a mentalidade e atitude de quem vai entrar no lugar, infelizmente, na minha opinião, levaremos muito mais do que uma ou até duas eleições para vermos mudanças realmente relevantes e permanentes para nosso país.

Entendo que não esteja pintando um cenário muito bonito. Na verdade, tenho muito desejo que o que vier para o futuro seja muito melhor do que o que enxergo. Mas não vou parar no desejo. Eu já comecei a mudar minha mentalidade e atitude para evoluir. Já me informo da melhor maneira sobre os políticos que estão competindo por cargos públicos e não apoio cegamente um partido ou candidato simplesmente porque simpatizo com ele (como se fosse time de futebol…). E não só isso: não jogo lixo na rua, muito menos atiro pela janela do carro (não só pela atitude civilizada, também porque isso evita que os bueiros se entupam e tenhamos enchentes), converso com meus amigos fumantes e peço a gentileza de não atirarem bitucas de cigarro no chão (fala sério, atirar bituca de cigarro no chão em 2016…?), pago meus impostos em dia, procuro me informar dos meus direitos e deveres como cidadão, trato as pessoas com igualdade independente de gênero, raça, cor, credo, orientação sexual etc.

E quanto isso tudo tem me custado? Zero. Na verdade eu lucro muito em paz de espírito, uma cabeça leve no travesseiro, mais amigos, um bairro e/ou cidade mais limpa e uma porcentagem, ainda que pequena, de melhora para meu país.

Agora, imagine se todos nós mudarmos de mentalidade e de atitude. Essa porcentagem de melhora vai aumentar cada vez mais até que a mudança seja muito perceptível e, mesmo que não tenhamos tempo de saboreá-la por completo, nossos filhos, netos, sobrinhos etc. terão um país muito melhor. E poderemos dizer a eles, daqui a 30 ou 40 anos, velhinhos, com cabelos brancos e um sorriso bobo no rosto: “No meu tempo as coisas eram muito mais difíceis”.