O post que eu queria ter lido 3 anos atrás (Parte 1)

Faz exatamente três anos que comecei minha jornada empreendedora, e só posso olhar para trás e dizer: QUE VIAGEM INCRÍVEL TEM SIDO!

Esse sentimento me estimula a compartilhar conhecimento para que mais jovens possam se arriscar nessa jornada. Diante disso, resolvi escrever um post com o tipo de conteúdo que buscava encontrar, no momento que dei inicio a empresa.

Legal Augusto, mas que tipo de conteúdo é esse?

Bom, vocês devem estar familiares que o conteúdo disponível sobre empreendedorismo em geral fala sobre três vertentes:

  • Cases de sucesso de grandes empresas
  • Empresas que fracassaram
  • Ferramentas (Canvas, lean, NPS, etc)

E esse era exatamente o problema, eu queria ler sobre empresas com dois anos de existência, entender como elas tinham saído da tração, quanto os sócios ganhavam, aonde eles trabalhavam, como faziam para emitir nota fiscal, se elas tinham práticas de grandes empresas ou não faziam nada demais em termos de gestão por serem pequenos; enfim queria saber de coisas simples e tangíveis.

Três anos se passaram, e resolvi escrever o post que queria ter lido três anos atrás. Vamos lá!

Ano 1

Três jovens, uma ideia. Abrir uma empresa de apresentações corporativas em salvador (WTF???). Para quem não sabe, esse mercado é muito forte em São Paulo e movimenta mais de 50 milhões de reais ano por lá. Aliado ao tamanho do mercado, o nosso feeling, e por ser uma atividade inovadora que possibilitaria a criação de um ambiente divertido e disruptivo embarcamos na aventura.

Show! Tinhamos a ideia de negócio, um nome para a empresa: Três Pontos Apresentações e um pequeno capital inicial de R$ 12.000,00 no total! Fora isso, não tinhamos muita coisa kkkk!

A primeira pergunta que tivemos que responder foi: como investir esse dinheiro?

Acho que aqui fica a primeira lição e uma das bases sólidas da nossa empresa: Investir sempre em educação! Dos R$ 12.000,00, 40% foi investido em treinamentos na SOAP, a empresa referência na América Latina.

A história do que aconteceu com o resto do dinheiro, define o ditado “rir para não chorar”. Investimos R$ 4.000,00 na criação do nosso site e identidade visual (até ai tudo bem), sobrava ainda R$ 3200,00 reais que planejávamos gastar 20% em impressão de papelaria e o resto em alguma ação de marketing de guerrilha. A ação teve que ser cancelada, uma vez que colocamos um zero a mais no pedido de pastas e gastamos R$ 3500,00 na impressão de pastas e cartões de visitas, e ainda não tínhamos aonde estocar as benditas pastas. Pois é, que MERDA!

Vida que segue!

Enquanto a nossa marca ficava pronta, surgiu uma oportunidade legal! Aconteceria em Salvador o Tedx Salvador, e essa seria nossa chance para apresentar o negócio ao mercado. Decidimos oferecer nosso serviço de graça para uma das participantes, ela achou a ideia incrível e só fez uma pergunta para a gente: Vocês não tem apresentação institucional? (Cri cri cri)

Tivemos que criar uma da noite para o dia, e o resultado vocês podem ver aqui goo.gl/eQkfkS. Quem clicou para ver, vai concordar comigo que é necessária muito cara de pau, para dizer que é dono de uma empresa de apresentações e mandar um power point desse. E sabe de uma, eu tenho muito orgulho disso! Essa atitude do vai lá e faz, já levou a gente para lugares incríveis. Afinal, como diria o fundador do Linkedin:

“Se vc não tem vergonha da primeira versão do seu produto, você demorou demais para lançar” Reid Hoffman

Se você tem alguma dúvida que essa mentalidade funciona, dá uma olhada na primeira página do Google

http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bombou-na-web/fotos/2013/09/evolucao-da-pagina-inicial-do-bgoogleb-de-1998-ate-hoje.html

Continuando a história, a palestrante aceitou arriscar na gente e tivemos nosso primeiro sucesso, a apresentação foi muito elogiada e começamos oficialmente nossa empresa.

Os próximos meses foram igualmente empolgantes, fizemos mais algumas apresentações for free, até que conseguimos fechar nosso primeiro contrato (Ops! Não tínhamos contrato, nem CNPJ). Teve inicio outra correria, descobrimos que a melhor modalidade para validar uma empresa era abrindo um MEI — Micro Empreendedor Individual (dentro dessa modalidade a empresa pode faturar até R$ 60.000,00 por ano e possuir até um funcionário CLT, além do imposto ser ridículo). Nascia formalmente o nosso CNPJ em março de 2014.

Infelizmente depois disso as coisas não melhoraram, elas foram ladeira a baixo. Até Junho de 2014 fechamos apenas mais uma apresentação, e me lembro como se fosse hoje de uma reunião fatídica na casa de um dos sócios. Cogitamos seriamente nesse dia deixar tudo pra lá, e seguir nossas vidas encarando tudo aquilo como um grande aprendizado. A sorte foi que no dia seguinte a reunião, iriamos dar nosso primeiro workshop aberto sobre apresentações (no qual eu obriguei todos os meus amigos a irem e ainda pagar R$ 120,00 cada). Esse workshop, tirou a gente do tanque da reserva e deu a energia que precisávamos para continuar perseverando. Foi por isso que na segunda feira após o curso, tomamos a decisão mais lógica (not) para uma empresa sem receita: assumir custos!

Parece surreal, mas essa é a principal lição que eu dou para qualquer empreendedor iniciante, ASSUMA CUSTOS FIXOS! A simples necessidade de ter um custo mensal fixo, vai te tirar instantaneamente da zona de conforto!

Esse de fato foi um tiro certeiro, porque matamos dois coelhos em um cajadada só: saímos da zona de conforto (custos), e começamos a ter uma rotina mais desenhada trabalhando em um espaço físico diariamente. (O custo fixo que assumimos foi o de um co- working, no valor de R$ 500,00 mensais).

A união desses dois fatores, foi o grande ponto de virada da empresa. Uma vez que até então, trabalhamos remotamente de nossas casas ou ocupávamos uma sala meio sem graça no escritório do pai de um dos sócios. E em um passe de mágica, estávamos trabalhando em lugar jovem, cheio de gente legal, com eventos acontecendo semanalmente e com isso, mais gente acabou conhecendo nossa empresa.

A motivação do novo ambiente de trabalho gerou bons resultados. Conseguimos fechar 3 novas apresentações, o que nos deu segurança de caixa para assumir novos custos até o final no ano! Felizmente escolhemos o lugar certo para investir, nos tornamos a única empresa com três funcionários a se associar a AMCHAM, uma entidade que promove eventos de capacitação e networking ( www.amcham.com.br ) que reúne as maiores empresas do Brasil. E fechamos o ano em grande estilo, fazendo a apresentação de um coach graduado em Harvard. (contato advindo da AMCHAM)

As coisas começavam a caminhar melhor, mas ainda faltava muita coisa…Segue abaixo um compilado dos nossos resultados do ano de 2014 (ano 1 da Três Pontos Apresentações):

  • Apresentações pagas: 14
  • Apresentações for free (parcerias): 7
  • Vídeo pagos: 1
  • Workshops abertos realizados: 2
  • NPS (Satisfação dos clientes): 67% (Número importante para o futuro)
  • Faturamento R$ 30.000,00
  • Lucro R$ 2.400,00
  • Valor que os três sócios juntos receberam: R$ 1500,00 (Referentes a reembolsos kkkkk)

Como vocês podem perceber, não eramos nem de longe uma empresa rentável, mas tínhamos saído da tração e isso dava bastante esperança para o ano 2 da empresa. Mesmo que ainda tivéssemos grandes desafios pela frente:

  • Ainda não possuímos um designer na equipe (Eu sei! Isso é inacreditável)
  • As nossas famílias começavam a cobrar resultado (Todos os sócios já eram formados e dependiam 100% dos pais)
  • As tentações externas eram grandes (Programas trainees, MBA, startups etc)

Na próxima semana, escreverei a segunda parte deste post contando como lidamos ou não, com cada um desses desafios e como foi o segundo ano da Três Pontos!

Espero que tenham gostado!