Preconceito de gênero reverso?! Existe sim!

ATENÇÃO: esse é um texto irônico. Não encham o saco com os seus patrulhamentos.

Ao contrário da imbecilidade conhecida como “racismo reverso” — propagada por alguns seres humanos de cor branca com QIs de amebas -, o preconceito de gênero reverso existe de verdade. Você acha que estou exagerando? Pergunte pra qualquer pai se ele já não ouviu pelo menos uma das seguintes frases, que destilam ideias preconcebidas sobre a paternidade sem se darem conta de sua inconveniência.

  • “Que bom que você toma conta da(s) criança(s) quando a sua mulher sai”! / Pais não são babás pra “tomarem conta”: pais cuidam e educam. Olha lá no dicionário, são coisas beeeem diferentes entre si.
  • “Infelizmente, não existem trocadores de fraldas nos banheiros masculinos. A mãe da criança não está junto com o senhor?” / Ué, eu nunca pensei que trocar fraldas fosse uma tarefa eminentemente feminina… A criança não foi gerada por ambos?! Então a merda é democrática, simples assim.
  • “Ah, fala sério… Nós sabemos que é a mãe que precisa ficar em casa com a criança assim que ela nasce, essa licença paternidade é só uma desculpa pra não vir trabalhar. Aproveite o descanso!” / Tive de ouvir uma asneira dessas quando a minha filha nasceu, e claro que respondi à altura: “se você não ficou com a sua mulher quando os seus filhos nasceram, é problema seu: na minha família, a filha é do casal e não só de um dos pais”. Além disso, até parece que cuidar de um pequeno, indefeso e choroso ser humano durante 24 horas por dia é um descanso… Trabalhar é muito menos desgastante, vai por mim.
  • “Não querendo me intrometer, mas não é estranho pra um pai ficar em casa tomando conta de criança enquanto a mãe trabalha fora? Não deveria ser ao contrário?” / Eu responderia: “não, estranho é você ter esse tipo de pensamento em pleno século 21”. Nocaute!
  • “Como você vai se virar com a criança quando a mãe tiver de viajar sozinha? Ela daria conta, mas e você? Vai ficar tudo bem?” / Pai provedor, mãe cuidadora… Meio século 19 isso daí, né não?!
  • “Por que você está com sua criança no parque durante a semana? Perdeu o emprego?” / Mais um conceito bem antigo, o de que é preciso estar num escritório com chefe e horário pra ser considerado trabalho. Muitos trabalham em casa exatamente pra terem mais contato com a família, aumentando aquilo que se convencionou chamar de “tempo de qualidade”. Fosse comigo, concordaria com a pessoa e ainda pediria um bom dinheiro emprestado, só pra me ver livre de curiosidade indevida.
  • “Posso ver pelo jeito que você segura a criança que você é um bom pai” / Já ouvi falar muito em interpretação de expressões corporais, mas isso daí já é meio que ridículo…
  • “Por que você precisa sair mais cedo pra levar a criança ao pediatra? A mãe da criança não pode?” / Educar não é prerrogativa de apenas um dos pais… ou é?!
  • “Que bom que o senhor veio na reunião de pais na escola, é muito raro de vermos os pais por aqui, só as mães” / Idem do comentário acima.
  • “É difícil ver um pai com tanto comprometimento como você, parabéns!” / Quando fazer a sua obrigação como pai com o maior amor é motivo de espanto, então a humanidade está com problemas muito, muito sérios.

Num mundo recheado de preconceitos e de patrulhamentos, é fundamental nos vermos livres das amarras de gêneros tanto pra mulheres quanto pra homens. Em se tratando de educar uma criança, as responsabilidades são iguais pra mães e pais — quero dizer pra mães e pais de verdade, não praqueles meros doadores de útero ou de esperma que enchem o mundo de filhos pra serem criados de qualquer jeito. Esses daí não contam, pois infelizmente não sentem o imenso prazer nem sabem a realização que é em se envolver na educação de uma criança.

Só com respeito, amor e harmonia é que vamos conseguir evoluir enquanto espécie animal; pelo que se tem visto por aí, essa evolução ainda vai demorar um bom tempo…

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