O busão da madrugada de São Paulo
Fotorreportagem para o curso de fotografia da Belas Artes, matéria de Fotojornalismo, professora Tássia Zanini.
Equipe: Bianca Faidiga, Camila Xavier, Gabriele Volpatto,
Gustavo Santos e Yamê Cherici
O NOTURNO forma uma rede de linhas de ônibus estruturais (ligando localidades diferentes) e locais (restritas ao bairro ou região) que atendem todas as regiões da cidade no período da meia-noite às 4h da manhã.
A implantação possibilita, por exemplo, sair da zona sul e chegar aos bairros mais distantes de outras regiões da cidade, fazendo integrações preferencialmente em terminais e locais de conexão. O Noturno também passa próximo às estações de metrô, facilitando o acesso dos usuários.
A nova rede funciona desde 28 de fevereiro e atende locais com maior concentração de pessoas, como hospitais e avenidas principais, além de percorrer o trajeto das linhas de metrô e áreas com casas noturnas.
Os passageiros têm 151 linhas de ônibus municipais para utilizar entre as 0h e 4h, em todas as regiões da cidade.


Das 151, 50 são estruturais e operam com intervalo de 15 minutos. Outras 101 fazem o atendimento local, com intervalo de 30 minutos.

A frota é de 454 veículos, com reserva operacional de 88 coletivos.

As linhas aceitam todas as modalidades do Bilhete Único, cobrando a tarifa normal, de R$ 3,50.
O motorista Orlando trabalha na linha noturna desde o início das operações. Está satisfeito e prefere trabalhar à noite, em função do menor movimento de pessoas, do trânsito mais calmo e da temperatura amena. Quanto à segurança, relata que não se sente inseguro e que as linhas que passam pelo centro são mais seguras do que as linhas que circulam pelos bairros.

O cobrador Adonis também trabalha na linha noturna desde sua implantação. Sobre a movimentação de passageiros, ele observa que geralmente são pessoas mais jovens que usam a linha, e que os dias mais movimentados são quinta e sexta-feira, entre 0h e 2h da manhã. Acredita que o sistema está funcionando adequadamente até agora.

Para a estudante Ingrid Mistro, 22 anos, que mora na Vila Mariana (Zona Sul), a ampliação das linhas da madrugada facilitou a vida dos trabalhadores noturnos e serviu de motivação para sair de casa à noite e voltar tranquilamente. “Antes, eu tinha que pagar táxi para voltar para casa depois da balada; agora, dá pra voltar de ônibus”, relata.
Já outros usuários não aprovaram a mudança. Com o remanejamento das linhas noturnas, alguns passageiros que pegavam dois ônibus, por exemplo, nos chamados “corujões”, agora precisam pegar três.

O funcionário fiscal Jairo de Souza, 35 anos, trabalha no terminal Vila Mariana. Ele observa que no período noturno não há muito movimento, mas isso não diminui a segurança do terminal, que conta com vigias durante todo o período.
As experiências iniciais apontam que a implementação das linhas noturnas tem facilitado a vida da população de São Paulo, mas algumas melhorias ainda precisam ser feitas, como aumentar o número de linhas para compensar a falta do metrô, e divulgar mais as rotas e regiões atendidas. Com a popularização do serviço, poderão ser identificadas novas demandas, além de ajustes e investimentos necessários.