Umas lutinha repetida que dá até dó

É, galera. San Diego ComicCon. A E3 das novidades do mundo dos quadrinhos (que hoje engloba também a TV e o cinema) e de alguns outros pontos da dita cultura nerd.

Sabe o que mais tem rolado nos ultimos anos nas ComicCons, ao invés de grandes anúncios de quadrinhos? Anúncios e trailers de filmes.

A própria MARVEL divulgou toda a reformulação de sua linha editorial pra setembro faz menos de um mês, e não no evento. Evento esse que, teoricamente, seria o lugar perfeito pra tal revelação.

Mas, como o que tá rolando e quebrando a internet são os trailers, que seja, não sou eu que consigo mudar isso. As coisas evoluem e temos que nos adaptar, ou padecer afogado na nostalgia conservadora.

Falando em quebrar a internet, tem um certo vídeo que tem causado um grande furor nas últimas horas. A trailer do vindouro filme dos estúdios da Warner, Batman v Superman: Dawn of Justice. A primeira vez que o Batman vai bater no Superman na tela grande. Não, não, maior ainda. A primeira vez que os dois estarão juntos na tela grande.

Olha só! Uma luta entre esses dois caras que lutam entre si toda hora! E, como sempre, todo fanboy age como se fosse a primeira vez… De novo…

Em tempos de Vingadores, é até estranho pensar que os dois maiores medalhões da DC, e possivelmente dois dos heróis mais conhecidos em todo o planeta, ainda não tenham figurado em conjunto em um blockbuster. Mas sim, a Warner não tinha feito isso ainda, e tem feito meio nas coxas, numa planilha de Excel que muda a cada semana e que as decisões são tomadas quase na hora H.

Cara, esse filme foi gravado a quase 2 anos e ainda tão colocando cenas extras que dificilmente estavam no roteiro original e possivelmente saíram da mente maluca e “descolada” do senhor Zack Snyder, conhecido por sempre “melhorar” as histórias que tenta adaptar pra telona.

Voltando aos dois lutadores da vez, Batman, o Homem Morcego, o Cavaleiros das Trevas, o Cruzado Embuçado, esse moço aí que usa órfãos infantes como parceiros de luta contra o crime e as forças do mal. Do outro lado, Superman, o Azulão, o ET Jesus Cristo, o cara que vive num mundo feito de papelão.

Sabem quantas vezes esses caras lutaram? Não? Nem a DC sabe, pelo simples motivo de: eles lutam umas 5 vezes por ano. Em todos os multiversos possíveis que a editora Das Crises conseguir inventar. Então, por que de novo?

A resposta é simples: porque vende. Ponto. Não tem nem que se esforçar pra concluir isso. A resposta é tão preguiçosa quanto a decisão de colocar eles pra brigarem de novo.

É tão preguiçoso quanto colocar o Hulk pra bater no Thor e fazer o Homem de Ferro e Capitão América resolverem suas discordâncias no braço. Todo dia a gente vê isso, em todas as mídias possíveis. E continua sendo feito.

PORQUE ISSO VENDE.

Vende fácil e vende muito.

Não me entendam mal, eu curto bastante ver essas cenas. São exemplos apoteóticos da massaveice. Mas sabe o que eu gosto mais do que ver esse tipo de treta?

INOVAÇÃO.

Já pensou numa luta entre Homem Formiga e Falcão? Não? Olha aí que linda oportunidade de se inovar. Ou, quem sabe, olha que ideia louca, colocar o Flash pra ter problemas contra o Aquaman? Vish, caramba, como será que iria se resolver isso?

São premissas que precisam de um pouco mais de socos e chutes que quebram prédios e explodem tudo à volta pra se resolver. Pode não ser massaveio (ou pode até ser, já que estamos falando de quadrinhos e seus derivados), mas com toda certeza seria muito interessante.

Eu, sinceramente, preferia ano que vem ir ao cinema assistir Capitão América: Sociedade da Serpente do que Capitão América: Guerra Civil.

E, por mais que eu goste do Thanos, não acho que ele seja a melhor escolha pra um vilão final da grande sequência de filmes do MCU. Assim como não achei o Loki a melhor escolha para o filme dos Vingadores.

Não, minto, achei sim uma boa escolha. Remete inclusive ao primeiro quadrinho dos Vingadores, e ele é um vilão legal. Mas custava aproveitar melhor ele no filme? Sabe, tem um roteiro ótimo dos Vingadores com o Loki como vilão, num contexto ainda colorido, mas menos comum. Se chama Ultimates vol. 2.

Leiam, vale muito a pena. Mas, divago…

Concluindo: como pensar em lutas diferentes, fora do lugar comum, malucas é uma coisa complicada e difícil de vender pro público médio, resta-me apenas desejar que um dia coisas assim aconteçam.

Ou me tornar roteirista desses malucos e fazer eu mesmo, mas isso é história pra outro dia e sonhos que sabe-se lá se poderão ser realizados.