3… 2… 1… Para o Espaço!
O espelhado de um lago adormecido é um palco perfeito para o brilho daquela Lua Azul. A leve brisa noturna dá, à sinfonia, sua própria música e faz com que o berço macio da grama ao seu entorno dance com a graciosidade de uma libélula. Sentada com as costas repousadas no tronco de um velho pessegueiro, a jovem corre os dedos pelo chão, como quem acaricia suavemente as costas de um Amor único. Observando as formiguinhas que fizeram de teu pé um atalho, ela sente recebe um convite para uma viagem inesperada, fecha os olhos e se prepara para o lançamento. Adormecida, é levada para seu destino.
Dessa vez a pequena não sonha com passeios em um parque ou com casas amarelas, dessa vez ela coloca seu traje espacial e se lança ao colorido e infinito cosmos. O Sol dourado como os teus olhos ilumina o espaço escuro como seus cabelos, revelando pequenas trufas de cereja com pimenta que orbitam a estrela com a mesma sintonia de um balé russo. A garotinha é apresentada ao Universo pela primeira vez.
Flutuando mais rápido do que a Luz em alguns momentos e mais devagar que uma Atualização Sistemática em outros, a menina não sabe onde está, mas tem uma sensação estranha de Lar. Curiosidade fala mais alto que o medo no coração daquela criança maravilhada, enquanto ela decide se aventurar por cada uma daquelas Esferas Dançarinas.
“Elas devem ter um nome. Quer dizer, todo mundo tem um nome. Qual será o delas?” — A inocência em seus pensamentos encanta as Dançarinas Cósmicas, que por sua vez, param seu movimento sincronizado por um segundo e se colocam em uma fila à frente da criança.
Alinhadas lado a lado, aquelas bolinhas sortidas se fazem prontas e ansiosas. Ninguém nunca havia perguntado a elas os seus nomes, ao invés disso, as nomeavam homenageando deuses de uma época antiga, de um planeta inconstante. Havia algo a mais naquela visitante surpresa, algo que instigava as esferas, fazia com que até a mais tímida entre elas se mostrasse impaciente, ansiosa pela visita da pequena mochileira das galáxias.
Ela não percebe, mas agora eram as Bailarinas que a queriam conhecer. Enquanto ensaiavam, cada uma, o que iriam dizer quando chegasse a sua vez de ver a menina descendo dos céus e pousando suavemente em seu solo. Quais histórias iriam contar? Sobre qual época conversariam? Deveriam oferecer chá ou café? A ansiedade se faz aumentar.
A menina segue em direção A Primeira Esfera da Fila. Ela não sabe, mas aquele que chamam de “Mercúrio” a espera de braços abertos.

