Mercúrio, o Diplomata

Gabriel Vaz
Nov 2 · 2 min read
Hg, Para os Químicos

Ao tocar o solo daquele planeta quente, as mãozinhas da garota estão mais agitadas que seus pensamentos ansiosos. É como descobrir um mundo novo, literalmente. Suas sobrancelhas não mostram medo ou preocupação, seus pés dançam pela areia daquela planície calma. Ela vê, no horizonte de uma noite que se aproxima vagarosamente, a beleza de um crepúsculo sutil e sente, pincelando suas bochechas rosadas, o vento da paciência.
Apoiando os joelhos frágeis ao chão, ela apanha um punhado daquela fina “terra” a e a leva ao ouvido.

“Me conte uma história, a sua história” — A menininha diz, enquanto fecha os olhos e se senta delicadamente, cruzando as pernas como a mesma elasticidade de um monge.

Uma voz de timbre elevado se faz surgir por entre os dedos de onde escorriam os grãos de areia que ela havia apanhado com respeito e carinho. Um pouco acanhado de início, O Vozeirão começa sua poesia. Ele conta sobre uma época onde os planetas habitavam órbitas próximas, sem se quer terem se tocado. Conta sobre como desafiou Newton, mostrando que um planeta vai além de números… “Planetas são mais do que maçãs”, ele diz com um tom humorado. Mas não havia desdém em sua voz, apenas admiração.

Para cada frase, teoria e fórmula matemática que a garota ouvia, uma nova porta se abria e mil novas se apresentavam. As nuvens dançam em um ritmo lento, como se o ar carregasse contigo algo além de um perfume com notas de Couro e Caramelo. Mistérios, teorias, escritores e astrônomos. Cosmos e Computadores brilhosos.

Eles conversam por entre as estações que atravessavam o céu sempre iluminado de um planeta gentil. Nomes que não devem ser nomeados, suas regras e seus personagens marcantes. Mercúrio a conta sobre seus medos, com uma confiança inabalável.

“Aranhas e ser esquecido”

“Principalmente aranhas.”

Abaixando o queixo em um sinal de reverência, a menina dá uma pausa naquela conversa sem fim. Outros planetas a esperam. Ela precisa ir.

Hey” — A garota diz enquanto passa o dedo indicador pelas areias lisas ao seu redor. Desenhando em seu solo, uma letra.

Você não me disse seu nome

O planeta dos matemáticos carrega consigo o nome de um mensageiro. Mercúrio e seus sapatos alados. Talvez carregue esse nome por ser aquele que só se mostra aparente antes do amanhecer, como quem traz a mensagem de um dia novo. Talvez os Homens, assim como uma mulher nascida em 75, olharam para aquela pequena luz e pensaram ser um anjo. O Anjo Mensageiro.

“Meu nome é Gabriel”, diz o planeta.

    Gabriel Vaz

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    Inspirado pela mulher mais linda que esse mundo já abrigou. Senhora Jyeniffer Taveira Silva, seja bem-vinda.

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