Papudinho e as formigas Hulk

Filhos, férias e Moreré (episódio 4)

No início pensava que a Celso não gostava daquelas formigas. Espera, vamos voltar três páginas no fabuloso livro das férias de Moreré antes de continuar esse episódio.

Você se lembra que chegamos na casa, e o Manu que não era Manu nos esperava lá. Falava, falava, e ninguém entendia. Nem mímica resolvia. Pescava poucas palavras aqui e ali.

Manu que não era Manu gesticulava e aparentemente explicava como as coisas funcionavam na cozinha. Pegou um saco de macarrão aberto, mas protegido por um pregador de roupas cuidadosamente ajustado. O francês ergueu aquele saco como se fosse a taça do mundo de 1998, sim, a Copa vencida na França pela França com um 3 a 0 no Brasil.

Pensei com meus botões, falou em Zidane, me-te-lo-ei-lhe a mão!
Atenção, formigas. Atenção, proteção. O saco seguia erguido, ATENÇÃO...

OK, entendi a relação entre comida, formigas, proteção e atenção. Fefuxa, que estava comigo na cozinha, entendeu também. Mas demos de banda. Nossa preocupação naquele momento era caixa d’água e lixo.

Primeiro jantar na casa. Mesa de fazenda em frente da cozinha. Molecada reunida. Leleco no comando da queijaria. Petiscos aqui, cerveja gelada (ou semi gelada) ali e por aí vai. De repente passa uma formiga, tamanho normal, aquelas pretinhas, tipo as que tem em BH mesmo, manja? Tradicional ali no Sion.

Daí a pouco passa outra, mesmo porte, mas dessa vez carregando um pedaço de Doritos. Agora calma e tenta desenhar. A formiga, com mais ou menos um centímetro de comprimento, carregava um pedaço de Doritos. Mas cumpadi, um pedaço mesmo! A parada seria tipo eu carregando a calda de um avião, sei lá, ou uma barbatana gigante. E a cena parecia essa, uma formiga-tubarão andando pela mesa.

Leleco soltou, caceta, olha a força dessa formiga!
Jojo respondeu, nussa, incrível!
Leleco complementa, são as formigas Huuuuullllkkkkkkkkk!

Pronto, dali em diante todo café da manhã era regado a histórias fantásticas das formigas Hulk. Tornaram-se lenda. Pai, e hoje que acordei com as formigas Hulk carregando um pão. Mas aqui, o pão inteiro! Tio, viu as formigas Hulk carregando o requeijão. Nossa, as formigas Hulk invadiram a vasilha da Celso. Caramba, formigas Hulk na mesa, alerta vermelho!

E a cada dia as histórias aumentavam e mudavam conforme uma grande lenda, saca? Chupa cabra, Matita perê, Curupira, Bola de fogo (ok, essa lenda é lá de casa…) e as formigas Hulk.

Pessoal, tem um vazamento no banheiro. Certeza que foram as formigas Hulk. Turma, viram que a geladeira saiu do lugar? Formigas Hulk.

Qualquer comida que não fosse muito protegida, tipo super protegida, era atacada sem piedade pelas formigas Hulk. O estrago era tão grande que chegamos a pensar que era obra dos morcegos ou baratas gigantes. Mas no dia que as formigas carregaram o pão francês, putz, tudo fez sentido.

Nossa batalha antes de fechar a cozinha e encerrar o dia era praticamente uma operação de guerra. Uma trincheira contra o batalhão de formigas Hulk. Uma ideia foi colocar tudo na geladeira. Sabe nada, inocente. E lá estavam elas…

As técnicas de proteção evoluíram com o andar da carruagem. Até que um belo dia, uma única formiga Hulk atravessou todo o assoalho da varanda carregando uma ponta. De charuto.

Desistimos, e nos juntamos a Celso.

*no primeiro episódio, Papudinho e as baratas

** no segundo, Papudinho e o morcego

***e no terceiro, Papudinho e Celso

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