Tenho refletido muito sobre os verbos ‘ser’ e ‘estar’ e a relação direta deles com o aprendizado, profissão e remuneração.

Zippados (minha eterna ex-banda na Experimente em Belo Horizonte), dezembro de 2015

A sociedade nos doutrina, desde cedo, a ser algo na vida para conquistar uma posição social e dinheiro. Você é um médico especialista, ela é engenheira civil, eles são jogadores de basquete e seu irmão um advogado. Todos perpetuam isso, então o ex-geólogo não pode mais nada.

Outro dia ouvi de um amigo uma frase mais ou menos assim: ‘eu sou isso há 15 anos, é o que faço pra sustentar minha vida, é o que eu sei fazer’. Releia a frase. Ela está carregada de algemas. Há 15 anos ele é um especialista em tal coisa. Prende-se nessa função para fazer dinheiro e segue o padrão por ter aprendido aquilo, ‘é o que sei fazer’.

Minha geração ‘é’ confortável em ‘ser’. Eu não. E comecei a provocar lá em casa, mulher, filhas e filho. E penso que no mundo singular onde vivemos, quem apenas ‘é’ se priva de muita coisa. Aprendizado, outras formas de produção, criar, fazer, reinventar, evoluir, perguntar.

Lá em casa faremos a mudança do ‘sou’ pro ‘estou’. Já vivo assim, oras. Mas nunca refleti a respeito.

Expedição Monte Elbrus, setembro de 2015 (Foto: Gabriel Tarso)

Eu estou montanhista, estive músico e produtor de TV. Um dia já estive professor de inglês, e também monitor de camping. Há um tempo atrás estive redator, administrador de empresa e apresentador de rádio. Não tão longe estive vendedor de produtos, e hoje, junto com montanhista, estou apresentador de programa de TV. O melhor é que também estou aprendiz. Estou escritor! Ok, contador de histórias.

Estar carrega uma dúvida gostosa, ser tem muita certeza. Estar tem muita inquietação, ser é confortável. Não há eternidade no estar, já no ser… Estar mais espiritual, ser mais religioso. Estar me lembra Rock, o ser, status quo. Estar em constante aprendizado ou ser uma profissão?

Hoje, pra evolução acontecer, temos que reaprender a ser, estando.