Ouvir, só.

Hoje em dia, noto, que há muitas pessoas que têm a dificuldade de ouvir. Só ouvir, só.

Não estamos a pedir opiniões, não estamos a tentar fazer conversa, não estamos a fazer passar com o tempo. Era só mesmo para ouvir, só.

Nos dias que correm, com as tecncologias que temos nas nossas mãos, literalmente, produzimos muito barulho através dos nossos tweets, dos nossos status, dos nossos post’s. Com isso, fazemos com que informação de interesse e com valor, nos passe ao lado. Melhor, ela não nos passa ao lado, passa mesmo à nossa frente, mas com todo o barulho que temos em nosso redor não ouvimos nada.

Acho que esse barulho todo está a mudar como as pessoas interagem umas com as outras, como comunicam.

Cada vez há mais situações em que num diálogo, estás a tentar expor um pensamento teu, um raciocinio, um sentimo, o que seja, e estás sempre a ser interrompido pelo ouvinte porque te está a falar coisas que aconteceram ou que ainda estão para acontecer. Ou então, só quer dar o seu palpite, o seu “bitaite”, o que “também me aconteceu”, ou só a confirmação daquilo que se está a dizer, mas parece que não consegue ficar quieto e ouvir, só.

Penso que isso é um reflexo do que se vê hoje em dia, principalmente nas redes sociais. Há sempre alguém que confirma o nosso comentário, há sempre alguém que dá um ultimo like, só para deixar um “é isso”, “força”, “boa”, “vou partilhar”…

Não tente trazer estas “inovações” para o seu dia a dia, para a sua “vida real”. Pare para ouvir o que um amigo seu tem para dizer, pare para ouvir o que os seus pais dizem, pare para ouvir o que um agricultor tem para lhe dizer, não pare só para tirar uma fotografia ao agricultor e colocar no “face” ou no “insta”.

Pare para ouvir, só.

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