Ferramentas Open Source para Escritório — Parte 1

Vou começar este artigo com uma pergunta: Você gostaria de usar uma ferramenta profissional no seu dia a dia para realizar todas as suas tarefas sem se preocupar com licença e sem gastar um tostão do seu dinheiro? No meu primeiro artigo contei um pouco sobre a cultura Open Source, que nasceu da cultura Hacker, compartilhando o conhecimento já produzido. Pois bem, está claro que software open source pode e deve ser comercializado; a ideia deste tipo de programa para computador é liberar o código fonte para que ele venha ser estudado e melhorado. Grandes empresas como a Red Hat e a IBM colaboram com a comunidade Linux e uma parte de sua receita vem das suas soluções desenvolvidas com o Linux e para o Linux.

Voltando à pergunta deste artigo, muitos já me procuraram perguntando se eu teria certo programa pirata, ou seja, se teria a última versão de uma solução para escritório com uma licença cracker (licença que valida a utilização da aplicação sem a necessidade de pagar pela mesma, ou seja, uma violação aos direitos de uso da EULA criada pela empresa desenvolvedora). Sou enfático e logo afirmo: só trabalho com software livre e de código aberto. A pessoa desconversa ou fala que o software tem determinado recurso que não encontra em outros softwares. Respondo: você já testou este? Ele tem os mesmos recursos e outros muito legais, é livre e ainda por cima, gratuito. É só instalar e experimentar! Na maioria das vezes, sou ignorado ou até excluído. Muitos não voltam a me procurar, mesmo eu sendo um especialista na área, por não compartilhar software pirata. Olha, meu caro leitor, eu sou PIRATA, sim, faço parte do movimento do Partido Pirata fundado em 2012. Dissemino a cultura do compartilhamento livre de música, vídeo, livros e de todo o tipo de conhecimento através da Internet. Porém, dissemino a cultura da produção de software livre, produção de software colaborativo e distribuído. Você deve estar se perguntando: tá Fernando, qual a sua justificativa? Bom, se existem ferramentas melhores que as desenvolvidas por empresas privadas, com restrições no uso pessoal, porque então usá-las ao invés de uma que te empodere e te liberte? Pois eu escolho os que me empoderam, ferramentas em FLOSS (Free/Libre and Open Source Software). Vou listar aqui neste artigo 5 ferramentas que uso no meu dia a dia e espero que venhas experimentar e se juntar a comunidade de usuários de software livre e de código aberto. Vamos lá então!

# 1 — Falkon Navegador Web

Falkon é o navegador de páginas da Internet mais leve e rápido do mercado. Ele utiliza um renderizador de páginas chamado QtWebEngine. Ele é multiplataforma e fornece os mesmos recursos de extensões utilizados pelo Google Chrome e Mozilla Firefox. Tá, mas porque eu deixaria de usar o navegador de uso no meu dia-a-dia e adotaria o Falkon? Por uma simples razão: menor consumo de recursos da sua máquina. Já foram realizados diversos benchmarking (processo de avaliação de desempenho) e o Falkon venceu todos quanto ao uso memória e processamento. Ou seja, seu computador consumindo menos recursos você conseguirá utilizar diversos programas simultaneamente sem sofrer com lentidão e travamentos. Faça um test drive hoje.

Página do Projeto: https://www.falkon.org/

# 2— LibreOffice

Suite de Escritório já foi dominado pela Microsoft com o Office. O cenário mudou quando a Sun MicroSystem abriu o código do, até então, chamado StarOffice, que passou a ser chamado de OpenOffice. Bom, a Sun virou uma subsidiária da Oracle e a empresa decidiu distribuir a aplicação fechada, visando aumentar a receita. Muitos desenvolvedores pediram demissão nessa fusão e decidiram criar um Manifesto com a intenção de resgatar a comunidade. Foi criado a Document Foundation que teve apoio da própria Google. A fundação desenvolve e promove a suite LibreOffice: um fork (uma cópia do projeto com um nome distinto) do OpenOffice. A suite é composta por editor de Texto (Writer), planilha eletrônica (Calc), apresentação (Impress), editor de desenhos vetorias (Draw), banco de dados (Base) e criador de fórmulas matemáticas (Math).

Página do Projeto: https://pt-br.libreoffice.org/

# 3 — Scribus

Se você busca uma ferramenta pra diagramação, o Scribus é a escolha certa. Um fato importante é que o Scribus foi a primeira ferramenta de editoração a suportar nativamente a exportação para formato pdf. Você pode criar revistas, folders, flayers, manuais, e muito mais. Lembro da primeira vez que usei o Scribus, na fanzine Jornal Apocalíptico lançado no ano de 2009.

Página do Projeto: https://www.scribus.net/

# 4 — Gimp

A Adobe ainda domina o mercado de software para edição de imagens com o Photoshop, porém, o seu reinado está prestes a terminar. Se você quer abrir um estúdio de fotografia e fugir da pirataria, então deveria adotar uma suíte de ferramentas como esta aqui: Gimp, darktable, DigiKam e RawTherapee. O mais legal é que, no Gimp, você tem a possibilidade de adicionar novos recursos já prontos pelo projeto GimpStuff.org.

Página do Projeto: https://www.gimp.org/

# 5 — Kdenlive

Você já usou o Windows Movie Maker? Eu já usei bastante essa ferramenta para editar meus vídeos. Era a ferramenta que usava na época do Microsoft Windows 95 e 98. Sabe porque eu utilizava? Por ser simples e prática. Então em 2010 eu descobri o Kdenlive e desde então eu o adotei em minhas edições, o software possui muitos recursos de efeitos, tanto para editar o vídeo, quanto para o áudio.

Página do Projeto: https://kdenlive.org/

Bom pessoal, essa foi a primeira parte de uma série de três, onde irei compartilhar com vocês ferramentas de uso diário.

Um grande abraço e até a próxima!