Companheira das palavras

Hadassa Nunes
Aug 23, 2017 · 2 min read

As palavras sempre foram as minhas melhores companhias. Na infância tagarela, na adolescência acanhada e no dialeto da vida adulta imatura, elas sempre foram uma excelente companhia.

Resgatando uma memória, forçava ler outdoors dentro do ônibus acelerado, ainda bem pequena. No livro de contos de fadas da Disney, eu já as namorava. Na adolescência, trancada no quarto, folheava mesmo sem entender e decorava todas elas, principalmente Sweetest Goodbye, de Songs About Jane do Maroon5.

Palavras. Fui amaldiçoada e enganada por elas. Por algumas, fui até prometida. Não importa em que contexto ou espaço, elas estavam lá. Companheiras e fiéis. Passei boa parte do meu tempo e da minha vida acompanhada por elas, para no final cursar Design de Interiores. Meu Deus, como pude abandoná-las?

Eu, curiosa e necessitada de expressões, sempre usei a escrita para desabafar e expressar aquilo que com a boca nunca consegui dizer. As palavras estavam lá, nos fotologs, nos blogs, mas eram para ninguém ler. E hoje, quase finalizando o curso de Jornalismo, aos 26 anos, me pergunto: onde estão as minhas palavras?

Pode não parecer, mas eu tenho tanto para escrever, para falar, para repassar. Porque as palavras são assim: elas vão, mas não voltam vazias. E lá no fundo eu sei que “eu tenho um pouco pra ensinar e muito pra aprender” e mais que isso, eu acredito que “eu falo um monte que talvez não sirva pra ninguém, mas em algum lugar do mundo eu atingi alguém”.

Aspas, várias aspas, porque as músicas me apresentaram diversas palavras e me ensinaram algumas. Porque com mais ou menos 5 anos de idade eu conheci Djavan e a palavra “quiçá” nunca mais foi a mesma. As músicas nunca mais foram as mesmas e as as palavras também.

Cada canção um encanto. Do meu meloso R&B ao RAP, é impressionante como cada letra tem um impacto diferente em mim. The Foreign Exchange que o diga. Como 3:35 minutos de música e 250 palavras expressam tanto?

But right there, right here love
Such a familiar scene
Do we live? Do we learn, or just die
Under the weight of our dreams?

I’m so lost when I’m away
Tried so long to find a place
So I say, let’s just call it home

Estar aqui nesse exato momento, escrevendo é retomar algo que eu nunca deveria ter largado, é reafirmar um compromisso comigo mesma, é fazer jus as palavras, porque isso eu levo a sério e deveria levar mais.

Ter palavra, fazer palavra, ser palavra, palavrear!

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