Ser Invisível e outras habilidades

Ser Invisível e outras habilidades

Me peguei dançando de olhos fechados num CTI. Como é possível? Consegui, pensei. Fiquei invisível?

Sabe, o poder da invisibilidade foi motivo de mistério e fascinação ao longo da minha vida. “Se você fosse um super herói, qual poder você teria?” Invisibilidade, respondia certeiro e sem titubear. Eu ganho o mundo, quando esse dia chegar.

Ainda adolescente, eu jogava um jogo comigo mesmo chamado o Jogo do Invisível. É preciso muita abstração pra jogar esse jogo, acredito. Um pouco de loucura também. Bem, é simples: isolar-se num canto, observar as pessoas e o movimento, como se não estivesse ali. Vale qualquer lugar: jantares de família, bar mitzvas e shows. Quando perde? Quando alguém preocupado com você te encontra. Aí, perdeu. Estar de altos não vale nesse jogo, ok? Regras são regras.

Me recordo também que, quando pequeno e não queria ser encontrado para tomar vacina, eu dava meu jeito: fechava os olhos e a realidade desaparecia. Até eu perder, claro. Nunca consegui escapar da vacina. Mas por um momento, de olhos fechados, o mundo era frio na barriga. Era só som. O mundo era outra dimensão. Era esperança de não tomar vacina. Era meu. Com todas as possibilidades que eu quisesse.

Hoje CTI foi assim, de repente, me reencontrei criança. De olhos fechados, o mundo virou sonho, digo som. Digo, música. E por conta dela, a liberdade e uma capacidade enorme de abstração. Foi “tarde de um domingo azul”. Foi esperança de não tomar vacina. O mundo foi outra dimensão sendo investigada. E ao abrir os olhos, percebi não jogar o jogo só. Invisíveis, todos ali desvendávamos o mistério. Juntos. E pela primeira vez ganhei o jogo, digo o mundo — que já não era mais meu. Era nosso.

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