A sexualização e padrões de beleza existentes nos Games.

Imagem via http://www.garotasgeeks.com/

Alguns games trazem consigo algumas representações polêmicas de seus personagens, entre as mais comuns está a representação feminina, que não agrada a todos e já não é de hoje. Há diversas discussões sobre a sexualização da figura feminina, da má exploração de suas características e sobre a questão de não haverem jogos onde a mulher fosse protagonista. Há um tempo atrás, vi uma imagem enquanto navegava pela internet na qual eram retratados dois personagens do jogo Street Fighter, uma era a personagem Laura e o outro era o personagem Zangief, abaixo da imagem de Laura tinha um texto alegando que personagens como Laura estavam causando transtornos em crianças do sexo feminino devido ao padrão de beleza imposto por elas, como se a criança ficasse triste e frustrada por não ficar com o corpo de Laura ou de qualquer uma outra quando crescesse e abaixo de Zangief tinha escrito o seguinte: “Este é Zangief.”. Essa imagem me fez pensar bastante, será que a sexualização nos videogames é só com as mulheres? Será que realmente as crianças estariam com a autoestima baixa devido ao padrão de beleza imposto pela personagem? E os meninos, estão tristes por não se tornarem Zangief ou qualquer outro personagem fortão quando crescerem?

Laura, de Street Fighter V.
Zangief, da série de jogos Street Fighter.

Sabemos que a sexualização feminina é bastante forte no mundo dos games, isso devido a maioria dos jogadores serem do sexo masculino, logo, as empresas usam imagens femininas extremamente sensuais para atrair o jogador, mas tal argumento está se enfraquecendo com o passar dos dias. As mulheres estão cada vez mais dentro do mundo dos games, e no Brasil, já somam 52,6% dos consumidores de jogos eletrônicos. Mas ainda existe a ideia de que videogame é coisa de homem? Sim, por incrível que pareça ainda existe, um exemplo cotidiano disso é que em algumas lojas de brinquedos os videogames estão localizados na ala dos meninos, o fato de uma menina/mulher jogar videogame ainda causa estranheza para muitos e historicamente os jogos são voltados para os meninos, desde sua publicidade até o conteúdo.

(Crédito: Nathani Mota e Priscilla Geremias)

Mas isso não quer dizer que não existam personagens “bonitões”, “musculosos”, dentre eles:

Sam, do jogo Splinter Cell.
Leon, do jogo Resident Evil 4.
Chris, do jogo Resident Evil 5.
Kratos, da série de jogos God of War.
Duke Nukem, da série de jogos Duke Nukem.

Cada caso é um caso, e existe um caso onde a sexualização de uma personagem foi “importante” pro desenvolvimento do jogo, a personagem Eva, de Metal Gear Solid 3: Snake Eater, utiliza a sedução para conseguir informações e enganar suas vítimas, mas existe também personagens com a sexualização desnecessária e o maior exemplo são alguns jogos de luta. As personagens Mai (The King of Fighters) e Cammy (Street Fighter) são super sexualizadas e são alvo de muitas críticas a respeito da visão distorcida do corpo feminino e por suas roupas (ou a falta delas), daí podem surgir questões: Será que personagens como Mai e Cammy, até mesmo Laura, não tem personalidades que as façam gostar desse tipo de roupa? Será que o estilo de roupa das personagens não remetem ao estilo de luta das mesmas? De fato, Mai e Cammy são muito sensuais e exageradas mas isso realmente pode deixar uma menina/mulher triste? De qualquer forma, temos que concordar que as mulheres são muito vaidosas e que toda mulher quer ter um corpo bonito e atraente para quem ela deseja conquistar, com os homens não é diferente, hoje em dia o número de academias cresceu muito e elas sempre estão lotadas de pessoas buscando um corpo bonito, dentro do que elas acham bonito. Agora, o que muitos não percebem é que personagens masculinos também são sexualizados, de alguma forma, mas claro que em proporções menores e a questão das crianças projetarem ser estes personagens tem que ser estudada e discutida. Uma questão a se pensar seria a dos Cosplays, vamos supor que uma garota quisesse se vestir de Mai ou de Cammy e que não tivesse o corpo das mesmas, na cabeça dela poderia ser um grande problema e sim causar algum transtorno de autoestima, mas vai de pessoa para pessoa, tem pessoas que não tem vergonha nenhuma do corpo que tem e se vestem do personagem que quer.

Mai, do jogo The King of Fighters.
Cammy, do jogo Street Fighter… bastante sensual, não?

Para os homens, pode-se dizer que não seria um problema muito grande, pois apesar dos padrões estéticos masculinos de alguns jogos, existem protagonistas e personagens importantes de jogos que são “gordinhos”, entre eles estão:

“It’s me, Mario!”, o gordinho mais amado e idolatrado do mundo dos games.
E. Honda, da série de jogos Street Fighter.
Robotnik, vilão dos jogos da série Sonic.

Não é muito comum vermos personagens gordinhas em games sendo protagonistas ou importantes de certa forma no desenvolvimento do game, frente a isso, uma campanha foi feita pela organização Bulimia, que combate desordens alimentares, em que personagens de jogos famosos foram redesenhadas e ganharam características e medidas de mulheres “reais”. A ação foi motivada pelo fato dos videogames reforçarem a pressão social pelo “corpo perfeito” e legitimam um padrão de beleza irreal que pode ser prejudicial para alguns jogadores, na qual podem criar uma imagem distorcida do corpo feminino.

Essa é uma questão difícil de lidar, li alguns comentários da imagem que citei, de várias pessoas que falaram que era besteira, que eles nunca choraram por não serem o Ryu ou o Ken, do jogo Street Fighter, que era frescura do sexo feminino, que era inveja, entre outros. Talvez isso se dê ao fato de que a incidência de transtornos alimentares e obsessão sobre seus próprios corpos é maior no sexo feminino do que no masculino mas ainda fica a pergunta: Seriam os games o grande culpado?

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