O ser humano e sua satisfação com o sofrimento do próximo.

Desde que eu me lembro, em uma época onde não havia internet, what’s app, ou qualquer meio de compartilhamento dinâmico de fotos e vídeos, e se não estou enganada, um bom barraco já fazia a alegria das pessoas. Mas acredito que as catástrofes já angariavam mais espectadores.

Quem nunca enfrentou lentidão no trânsito, por conta de um acidente, que atire a primeira pedra. E, invariavelmente, a lentidão nem é causada pelo acidente em si, mas pela curiosidade de terceiros que passam na menor velocidade possível pelo ocorrido apenas para poder absorver todos os detalhes do local. Seja um carro com o para-choque amassado, seja alguém agonizando com as tripas pra fora. O que me assusta não é a curiosidade — que até considero normal para o ser humano — mas sim o prazer e satisfação obtidos na desgraça alheia.

E aí chega o advento da internet, essa maravilhosa ferramenta que, com o passar do tempo, nos oferece cada vez mais opções de comunicação rápida, onde o fato mal ocorreu do outro lado do mundo e nós, que na maioria das vezes, nada temos a ver, estamos antenados e informados. E é onde a maioria perde a mão… De jogador famoso com fratura na coluna seguido de um “UHUL” com v de vitória a fotos expondo as entranhas do cantor famoso, as pessoas não se colocam mais no lugar dos outros.

Não adianta pensar diferente ou tentar ficar alheio a esse tipo de coisa, definitivamente alguém no seu círculo de amizades gosta disso e vai lhe enviar e lhe fazer ver de qualquer maneira. E quando você se põe contra, diz que não gosta de ver e tal, você é o chato, esquisito e que não acompanha as “tendença” da barbárie humana.

Porque beijo homo afetivo na novela do horário nobre é um atentado à família tradicional brasileira, mas ver um vídeo de um marido passando com as rodas de uma carreta por cima da esposa, e depois a foto bônus dela parecendo carne moída no asfalto é super de boas.

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