Relógio

Halyson Guerra
Aug 23, 2017 · 1 min read

Aquela luz escritorial em um dos lados da sala. Uma mesa de reuniões comprida, com 6 cadeiras de cada lado e uma em cada ponta. Em uma delas ele se encontrava, sentado numa postura que lhe causaria dores nas costas na velhice.

No lado oposto o problema. O relógio. Daqueles baratos, com moldura de plástico que imita metal e fundo de estrelas no preto, contrastando com os números e ponteiros brancos. E fazia um som bizarramente parecido com as onomatopeias de bombas-relógio de desenho animado. Tic, Tic, Tic.

A cada som, um segundo a menos de vida. Um segundo a mais de desespero. Vozes em algum lugar no corredor. Barulho de teclados. Música vindo de algum lugar. Crianças brincando talvez? Sons e mais sons. Carros, ônibus, cadeiras rangindo e portas batendo. Mas o som mais sufocante era o do relógio. Aquele “tic” não o deixava pensar. Aquele “tic” que, quase que sincronizado com as batidas do coração, o levava a beira da loucura.

A cada respiração, a cada piscada, o relógio respondia. Tic, Tic.

Seus olhos foram se tornando mais cansados. Vidrados. Já não via a tela do computador na sua frente. Ofegava. Tremia.

Respirava cada vez mais rápido. A cabeça girando. Tic, Tic, Tic, Tic.

Era chegada a hora.

Click no lugar de Tic.

E o primeiro tiro foi para o relógio. Os próximos só Deus poderia dizer.

)
Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade