Como empreender em Recife me transformou.

Carioca nato, apaixonado pela minha cidade, comecei a empreender um negócios social a pouco mais de um ano e mesmo morando em São Gonçalo e com poucos recursos próprios, aceitei o desafio de expandir nossas operações e fui empreender em outro estado longe da minha cidade, realidade, amigos e família. 
Montei minha mochila em novembro e fui, estava certo de que seria uma viagem extremamente enriquecedora e cheia de desafios, peguei todos os meus conhecimentos de negócios, oficinas de canvas e blá,blá,blá, fui pra dentro, não conhecia o ecossistema empreendedor de lá, pois o que é muito divulgado é que o Sudeste é a principal fonte de inovação do Brasil, tecnologia, startups e etc., mas quando pisei na “terrinha” não foi bem isso que vi.
Primeira coisa gritante foi como o nordestino busca sempre ser o melhor em linha reta da América latina em tudo que faz (uma expressão que se ouve muito lá), vi uma quantidade absurda de colégios de referência, faculdades com media 5 em quase todos os curso, aulas de robóticas, programação e empreendedorismo em colégios do estado, isso em bairros não muito famosos, nos demais bairros “famosos” esses números aumenta de maneira absurda, essa dedicação na educação gera uma mão de obra extremamente genial tornando o nivelamento de medianos altíssimo, então é super comum você encontrar universitários desenvolvendo a nova câmera do celular da Sony, criando sistemas para diminuir o índice de infecção hospitalar entre outras soluções incríveis, criando plataformas de interação com Facebook e entre outras coisas incríveis.

É super comum você encontrar universitários desenvolvendo a nova câmera do celular da Sony, criando sistemas para diminuir o índice de infecção hospitalar entre outras soluções incríveis, criando plataformas de interação com Facebook e entre outras coisas incríveis.

Existe os que buscam outros caminhos, eles já não querem mais trabalhar no Facebook (sim, não querem) agora almejam ser o novo Zuckerberg, criando plataformas únicas e mega desenvolvidas, esse choque me trouxe uma consciência de que o tudo é possível e a mudança está logo ali, somos nossos maiores sabotadores.

Segunda coisa que me trouxe uma grande lição foi ver um ecossistema sem vaidades (óbvio que sempre tem um ou outro), mas todos “entendem” que estão em uma causa coletiva pela melhoria do próprio estado, um exemplo que me chamou a atenção foi quando liguei a televisão e vi um comercial, incentivando a compra de produtos da região, e não era algo subliminar estilo Jequití, e sim uma convocatória, senti um senso de bem comum.
Outra lição importante foi ver o poder publico, empreendedores e moradores juntos, conheci um aplicativo chamado cittamobi, que fala o horário com perfeição de quase todos os ônibus de Recife, o cara consegue comprar passagem por ele, ver os horários dos ônibus e obter informações sobre alteração de rota entre outras coisas, isso me fez lembrar um app que há uns três anos surgia no Rio de Janeiro um app com a mesma proposta, porém não conseguiram ter o mesmo sucesso, pois as empresas de ônibus não estavam dispostas a disponibilizar seus GPS e isso fez com que todo o projeto que podia melhorar a vida de muitas pessoas. Não estou falando dos grandes centros que possuem ônibus de 20 e 20 minutos, mas falo de lugares como Itaoca-São Gonçalo que às vezes a espera ultrapassa à uma hora.

Depois de quase três meses em Recife volto para o Rio de Janeiro me sentindo um empreendedor melhor, mais humano, entendendo melhor sobre a visão do outro, lutando a cada dia mais para construir um planeta melhor e acreditando que é possível .

Continua . . .