Não acredite no Óbvio, ele vai te matar!

Moscou Moscou

Falar sobre o Óbvio e o quanto isso me assusta é no mínimo diferente, vou contar algo que aprendi com a vida, desde os tempos de escola sempre fui enganado por essa palavra, na infância tive uma dificuldade absurda pra entrar em um colégio normal, lembro como se fosse hoje, depois de ser alfabetizado pela minha tia fui tentar entrar no colégio publico,encarando meu primeiro processo seletivo, segundo minha tia o teste era simples servia apenas para saber se estava apto a cursar o a alfabetização (C.A), tinha ensaiado todas as possibilidades de perguntas com minha tia, já sabia escrever meu nome, cores e nome de lugares, mas para a surpresa de todos o teste não foi nada disso, uma mulher me colocou em um corredor estranho sentado em uma cadeira metálica cinza e disse que tudo ia ficar bem, em nenhum momento achei que não ficaria, mas depois dessas doces e belas palavras para me acalmar comecei a ficar extremamente nervoso, e ela continuo dizendo “fica tranquilo, vai dar tudo certo são apenas perguntas óbvias ” naquele momento fiquei desesperado, ela apareceu com um quadro com vários desenhos de animais e formas estranhas, me chamou e pediu para falar o que eu estava vendo, ela me mostrou um animal com 4 patas longas, e me perguntou o que era , disse que não tinha certeza pois parecia um cachorro, ela tentou me fazer crer que era um cavalo, eu não conseguia enxergar um cavalo, falei que era um cachorro grande, errado disse ela isso é tão óbvio, naquele momento travei e não consegui responder mais sobre o animal, ela mudou a figura e me mostrou um ponto preto e foi exatamente isso que afirmei, um ponto preto, ela fez um sinal negativo, fiquei mais nervoso, fui para a terceira tela e me apareceu um xis “eu juro que era um xis” e ela disse tudo bem vamos para o próximo teste, pediu para que eu escrevesse meu nome, naquele momento eu já estava craque, ela pediu para que eu fizesse um desenho, fiz uma arvore e uma casa e pronto, ela chamou minha tia em uma sala e deu o resultado, minha tia olhou pra mim como que imaginava (tão novo e tão burrinho) me deu o resultado não estava apto a cursar nada naquele colégio publico porque não consegui responder a perguntas óbvias e simples.

Desde então aquela palavra começou a me perseguir, anos mais tarde entrei em um colégio militar, onde não podia correr, se meu uniforme estivesse amarrotado voltava pra casa e etc, era algo meio implícito, ninguém falava isso abertamente para os alunos só para os pais, quando cheguei ao colégio no terceiro dia, ia ter um futebol maroto no pátio e como não era muito bom jogador dei aquela carreira pra chegar rápido no pátio para ser escolhido, imediatamente escutei um apito e fui advertido por escrito e ainda fiquei sem recreio, quando perguntei sobre o porquê daquilo as doces palavras voltaram e me perturbar, “não pode correr né, você viu alguém correndo? então é óbvio”

Depois de errar com tantos óbvios no colégio consegui me formar e fui para o mercado de trabalho já meio calejado dessa palavra, comecei a trabalhar em uma instituição financeira famosa e parece que quanto mais adulto se fica mais óbvio as coisas ficam e errar se torna um ponto extremo de fracasso, se perguntar sobre tais origens se torna pecado.

No mesmo ano que comecei a trabalhar entrei na faculdade e onde era pra ser o ambiente de maior erro se tornou um ambiente de aparentes certezas, onde tinha que me demonstrar o mais inteligente, rápido e errar pouco para não parecer um fracassado. Durante a faculdade fui trabalhar em diversos lugares que insistiam em me cobrar o óbvio de uma maneira até um tanto quanto criminosa, tinha que ser igual para ser aceito e tinha que fazer o parecido para que estivesse certo, foi em uma dessas que quase surtei e resolvi virar completamente o leme da vida, comecei a me perguntar qual era o legado que eu queria deixar, perguntei qual era o meu papel na sociedade, e ainda mais profundo o que seria do mundo se eu não existisse? Comecei a querer conhecer outros caminhos onde fosse possível criar respostas e comecei a me conhecer mais e mais.

Comecei uma jornada onde crio e procuro e nada é tão óbvio que não mereça ser revisto,reescutado, relido e por ai vai, assim tudo começou a fazer muito mais sentido.

Construção + Procura = Grande negócios em todas as esferas da vida

Me encontrei muito mais quando aprendi a criar respostas, procurar novas fontes, tudo fez mais sentido, não foi uma questão de querer e sim de ser, a oportunidade de empreender a vida é poder errar, aprender, mas que isso, descobrir que não existe um ponto óbvio.

O fato de ainda não enxergar o ponto de vista do outro não significa que você seja cego ou que esteja errado significa apenas que você está com seu foco ajustado para o outro lado.

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