Um pouco sobre a vida de João Calvino.

Mais um pouco sobre João Calvino. Jeanne Le Franc, mãe de Calvino, veio a falecer quando o mesmo tinha apenas 3 anos de idade, seu pai um advogado da igreja católica e secretario do próprio Bispo. João Calvino era amigo de dois sobrinhos do Bispo, pertencente a família Hangest, família influente da aristocracia francesa. Embora não pertencesse a família, Calvino, era tratado como se fosse parte dela, estudou com eles sob a direção de um tutor particular, e anos depois veio a engraçar no College des Capettes, educadário para meninos.

Em 1523, João Calvino sai de Noyon em direção a Paris. Com 14 anos, No Collége de la Marche, começou seus estudos com Mathurin Cordier que era conhecido em toda França por ser um exímio professor, aprendeu a escrever fluentemente em latim e vividamente em francês.

3 anos depois, Calvino transferiu-se para o Collège de Montaigu para estudar Teologia e Filosofia. Onde também havia estudado Erasmus de Roterdã e François Rabelais. Com 18 anos, Calvino termina seu curso e recebe graduação de mestre, já tinha lido os clássicos latinos, dominava a lógica e conhecia a filosofia Agostiniana e Tomista. Havia feito novas amizades, gente importante da época, como o medico suíço Cop, que era medico do rei. Calvino visitava a residencia de Guilherme Budé, conhecido como uns dos grandes pensadores da França.

Em 1528, João Calvino deixa Paris em direção a Orléans para estudar direito, por decisão do seu pai, interrompendo seus estudos de teologia e filosofia. Enquanto jovens se divertiam com banquetes e festas, Calvino se entregava aos estudos, quase não comia na janta para que a mente tivesse clareada a noite e dormia muito pouco. Dentro de 1 ano, Calvino ja era conhecido como professor de direito do que como estudante, quando os professores ficavam ausentes, era Calvino que assumia a responsabilidade. Começou a estudar grego com Wolmar, que tinha inclinações luteranas, a fim de ler os textos antigos nos originais.

João Calvino tinha 22 anos de idade quando decidiu tornar-se pesquisador das letras, deixando Noyon onde seu pai havia falecido, em direção a Paris. Aluga um quarto perto das faculdades para assistir as conferencias e de noite estudava, continuou a estudar grego e latim, tinha iniciado hebraico também. 8 meses depois, em 1532 — Calvino escreve seu primeiro livro, um ensaio sobre Sêneca, o filosofo romano que foi contemporâneo do Apostolo Paulo, apesar de ser um ótimo livro, escrito em latim, o livro não vendia. Calvino decidiu voltar para Orléans para terminar seus estudos de direito onde passou 1 ano, não esperou seu grau de doutor, saiu de Orléans por chamado de seu irmão, que tinha problemas com a igreja. Voltou a Paris, o reitor da universidade de Paris, Nicolas Cop que era amigo de Calvino por quase 10 anos havia feito sua palestra anual na universidade, no dia de Todos os Santos, ao invés de falar dos santos da igreja, Cop dissertou sobre os evangelhos e graça gratuita de Deus e falou contra a perseguição que a igreja católica fazia contra aqueles que retornavam a bíblia. Cop, foi encorajado por Calvino a fazer tais pronunciamentos, Calvino tinha aderido a nova fé, ao ler os textos originais, também tendo contato com outros homens, como Wolmar.

Anos após a palestra de Cop, Calvino escreve: ‘’Eu estava seguindo o caminho que havia iniciado, quando apareceu uma forma de doutrina muito diferente. Não era a doutrina para nos afastar-nos da confissão cristã, mas uma que nos traria de volta ao manancial, tirando, por assim dizer, os detritos e restaurando-a à sua pureza.’’

Voltando a Paris, depois que Margarida irmã do rei, persuadindo o próprio fez com que o rei tivesse misericórdia de Calvino. Se refugiou na casa de Louis du Tillet, cônego na catedral, que era amigo e colega de classe de Calvino. Du Tillet, morava em uma enorme casa que havia herdado do seu pai, e uma biblioteca com mais de 4 mil volumes, foi ali que Calvino encontrou seu retiro ideal para estudar. Se dedicou tempo integral a estudar a nova fé, Calvino também veio a dirigir reuniões secretas nos lares, também se reunia em uma gruta próxima ao rio, com apenas 25 anos, Calvino era procurado pelo povo para ouvir sobre a as Escrituras, era também caçado como herege pela igreja Romana, apto ao fogo, mas cautelosamente entrava e saia das casas do fieis, ensinando-os e encorajando-os.

Voltando para Orléans, ali concluiu seu primeiro volume publicado após sua conversão — Psychopannychia — era um pequeno livro em latim, Calvino escreveu nessa obra contra aqueles que acreditavam que alma dorme depois da morte até o ultimo juízo. Calvino veio a escrever dois prefácios à tradução da bíblia francesa feito pelo seu primo Olivétan, que também havia conversado antes de sua conversão, essas composições indicavam um novo Calvino, diferente daquele de suas palavras eruditas sobre Sêneca.

Anos mais tarde, Calvino escreve uma carta ao rei Francisco, tinha 21 paginas, mas o rei jamais chegou a ler. O rei nunca imaginou que esta carta, vinha a ser anos depois a magna obra de João Calvino — As Institutas da Religião Cristã -, tinha a intenção de ajudar os novos Protestantes que precisavam conhecer as verdades da Bíblia. O rei espalhava mentiras sobre os protestantes, para justificar os mártires carbonizados, e a obra se transformou em uma magistral Confissão de Fé — Calvino cita as Escrituras constantemente, cita os santos padres da igreja, em uma linguagem incisiva e forte, — ‘’ Excelência… não perdemos a esperança de recuperar o vosso favor se lerdes com calma uma unica vez… esta nossa confissão, que pretende ser nossa defesa perante vossa Majestade. Se ao contrario, porém, os vossos ouvidos estiverem tão preocupados com os cochichos dos mal-intencionados a ponto de não permitir aos acusados a oportunidade de falarem por si mesmos…’’

Calvino aumentou de 6 para 80 capítulos, constituindo 4 volumes grandes. Na ultima edição de 1559, as Institutas seguiram a ordem do Credo Apostólico, na discussão das ‘’verdades da religião cristã’’, nos dias de hoje as Institutas podem ser lidas em, pelo menos 10 línguas.

Calvino mais tarde ficou conhecido como o pai do francês moderno, em 1539 foram publicadas as preleções sobre o livro de Romanos, o primeiro de seus muitos comentários, que escreveu comentários sobre todos os livros do Novo Testamento, exceto 2, 3 joão e apocalipse. Escreveu comentários em cima dos livros do Antigo Testamento, Gêneses, Êxodo a Deuteronômio, Josué, Salmos Isaías, Jeremias e Lamentações, Ezequiel 1–20, Daniel, Oseias, e os profetas menores. Portanto pelo conjunto de sua obra, Calvino é considerado o maior exegeta da Reforma. Em quanto Agostinho era seu mentor teológico, João Crisóstomo era-lhe mentor na exegese.

Assim Calvino afirmou: ‘’ Os homens que se alimentaram das artes liberais ou pelo menos as experimentaram são capazes de, com sua ajuda, penetrar em lugares mais profundos e secretos da sabedoria divina. (…) Mas se é vontade do Senhor que sejamos auxiliados pela física, dialética, matemática e outras disciplinas tais; por meio do trabalho de ministros descrentes, façamos o uso dessa assistência. Pois se neglicenciarmos por Deus, devemos sofrer a justa punição por nossa indolência.’

Em 1536 em um debate sobre a Santa Ceia em Lausanne, um representante de Roma acusa os Protestantes de de ignorar o que os santos da igreja escreveram sobre o assunto; Isso foi demais para Calvino, que levantou-se e começou a refutar o defensor de Roma — citou com uma memoria invejável, Cipriano, Tertuliano, Crisóstomo, Agostinho e muitos outros. Um monge Franciscano bradou que essa era a verdadeira doutrina. E clamou a Deus perdão, pois seguiu os ensinamentos falsos de Roma.

Philip Melachton, teólogo alemão chamava Calvino de ‘’O Teólogo’

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