Cuide de sua dor

Alguém sussurrou da janela do outro quarteirão. “Cuide de sua dor”.
Mas quando é que nós cuidamos dessa menina?
Quando não se tem fome no café da manhã?
Ou quando saímos sozinhos em dia de chuva?
Quando não se tem filhos?
Ou quando os companheiros estão longe?
Quando se entra no carro de madrugada e não se sabe aonde ir?
Ou quando se evita um caminho com todas as forças?
Na hora da chegada ou no dia da partida?
Quando esquecem nosso endereço ou quando nunca esqueceremos de um número de telefone? 
Quando o chá quente queima a língua?
Ou quando nos falta coragem num sábado de manhã?

Ninguém sabe quando a dor passa. Mas se sabe que ela passa. Na parada de ônibus, na fila do pão, na pista de cooper, na rua asfaltada, na esquina dessas casas coloridas. Às vezes ela anda, às vezes ela corre.

E não se sabe o que sobrará de nós depois que ela passar…

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