Eu estava em um canto da sala, ele estava me olhando já tinha algum tempo. Um olhar de quem precisa muito desentalar algo preso no peito.

Ele me olhava como quem precisa confessar algo, ele, a entidade atemporal, manifestação da natureza ou da crença de todo um povo que o traz junto de si desde muito antes do meu nome estar preso ao espaço que eu ocupo no mundo.

Pois decidiu, com a sabedoria de quem não cabe no tempo ou na língua de quem fala em seu nome, me chamar de canto e me dizer aquilo que estava guardando para si.

Achou que por bem deveria me alertar da minha tolice. Olhe mais em volta, ele me disse, seja mais atento às pessoas que te querem bem. Existem aqueles que querem estar ao seu lado, que querem sua atenção, e você não faz nada além de esnobá-los.

Eu fiquei em silêncio. Para mim tudo aquilo era óbvio. Sabia do que estava fazendo por meus próprios meios. Mas o que é que eu posso fazer se só gosto do que não posso tocar? Das coisas que nunca serão minhas e daquilo que nunca será real?

A roda do carma seguirá a rodar contra mim, foi o que ele tentou me alertar. Eu só aceitei. Não posso questionar aquilo que é maior que eu.

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