Os Candidatos Titãs e o Exército Democrático #Animepolitik

Hanier Ferrer
Aug 31, 2018 · 4 min read
Attack on Titan, política com altas doses de reflexões filosóficas e violência

Dentro de 2 meses estaremos mais uma vez enfrentando filas pra digitar números nas maquininhas e apertar confirma, a não ser que você seja anarquista ou simplesmente acredite que há outras formas de modificar o país, fora o voto.

O que no fim das contas, devido a conjuntura atual, talvez não faça muita diferença realmente. Afinal, tanto os debates presidenciais quanto pra governador, tem sido uma seara de memes sobre teorias da conspiração, falas completamente fora da realidade e marasmo. Até agora, as participações mais memoráveis tem sido dos âncoras das redes de TV, como é o caso mais recente de Renata Vasconcellos, ao responder incisivamente aquele que não se deve pronunciar o nome.

Há cerca de um mês estreou a 3ª temporada do anime Attack on Titan, que tem uma narrativa steampunk baseada num mundo onde o planeta foi tomado por enormes titãs descontrolados e comedores de seres humanos. A humanidade está reduzida à quase extinção e se utiliza de três enormes muralhas com extensões diferentes, para garantir que nenhum monstro gigantesco venha acabar com a pouca população que vive nos territórios remanescentes, principalmente com seus governantes e líderes.

Daí começam a se desenrolar diversos acontecimentos ligados diretamente às ações do Exército, da Polícia e do Governo que revelam a verdadeira face daqueles que estão no poder e suspeitas são levantadas em relação aos seus verdadeiros objetivos. Não sei pra vocês, mas pra mim, vivemos num estado de sítio semelhante, apesar de não estarmos cercados por muralhas visíveis ou gigantes querendo nos mastigar.

A cada dois anos temos eleições e todos os estereótipos clássicos de políticos ressurgem — os comédias com jingles sem noção, os inexpressivos, os testa-de-ferro, os comedores de pastel de feira, etc (assim como há diversos tipos diferentes de titãs famintos com expressões depressivas, loucas e raivosas). Puxam carreatas, oferecem presentes, contam histórias e revelam “origens humildes” nunca antes imaginadas.

Assim como no anime, em especial neste ano, os militares tem atuado de forma intensa, com a Intervenção Federal sendo tida como uma ação de grande importância para a garantia da vida dos cidadãos… Mas a real é que já foram gastos milhões a mais do que o esperado e os índices não tem melhorado, pelo contrário, as mortes de inocentes têm aumentado sobretudo nas regiões onde o Exército faz incursões para “o nosso bem”.

No meio de tudo isso, os candidatos titãs estão aí, em sua boa parte propondo coisas completamente surreais, sem apresentar fundamentos e demonstrando o despreparo para cuidar de um país grande em extensão territorial e rico em cultura e recursos naturais. Alguns parecem comer os cérebros dos que decidem apoiá-los, pela capacidade inacreditável de falarem merda e serem ovacionados como “mitos” ou “heróis da fé cristã”.

É aí que chegamos ao 5º episódio dessa temporada, onde depois da descoberta de um golpe por debaixo dos panos, os militares destronam o apático falso rei e invés de instaurarem um golpe militar, decidem garantir que a verdadeira herdeira assuma o comando e constroem sua estratégia baseada em garantir que a população se mantenha calma e tenha seus direitos e sua vida resguardados.

Uma surpreendente reviravolta, inesperada para quem acompanha o desenho e imagino que mais ainda por quem acredita que o militarismo é a salvação do mundo, numa animação onde a atuação deles recebe protagonismo de herói. Aqui vemos a diferença entre forças militares democráticas e forças militares que servem a interesses dos que estão no poder, algo como um sonho distante para a nossa realidade.

Diferentes dos nossos, os soldados de alta patente de Attack on Titan se questionam a todo momento sobre o certo a se fazer, e mesmo aqueles que inicialmente procuravam seguir cegamente os líderes, se veem tendo que concordar que não era o melhor a ter sido feito. Diferente também o anime expor a subjetividade dos personagens militares, enquanto por aqui eles se parecem com uma massa coletiva desprovida de raciocínio em sua esmagadora maioria.

Se for votar, pense com seriedade, pesquise, debata com amigos que saibam expor ideias divergentes sem perder o foco e o respeito. Se não for, não esqueça de pagar a multa, porque isso pode te atrapalhar em coisas como tirar o passaporte pra dar um rolé fora do país ou ingressar num cargo público.

Um caô marcante é quando os protagonistas descobrem que as muralhas possuem titãs dentro delas, que dão o sustentamento da proteção do povo. Isayama, criador do anime, desenvolveu uma obra complexa com diversas críticas profundas aos nossos sistemas de governança e poder.

Agora é com vocês começarem a levar a sério o que fazer com seu voto ou não-voto e assistir Attack on Titan do início até o presente pra tirar suas próprias conclusões.

    Hanier Ferrer
    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade